O exemplo de Sabin e Emir Nogueira no combate às trevas (e uma nota pessoal). Por Kiko Nogueira

Albert Sabin em campanha de vacinação organizada pelo Einstein em 1970

Acabo de ler um artigo de Pedro Cafardo, editor-executivo e membro fundador do Valor, chamado “Elvis, Sabin e Emir, rogai por nós!”

Cafardo faz um flashback sobre outros momentos em que o mundo foi ameaçado por uma epidemia e sobre o papel importante dos supracitados.

As agruras experimentadas agora não são novidade e serão vencidas. 

“Na década de 1970, o Brasil, sob a ditadura militar, fez um grande esforço para vacinar crianças contra a poliomielite”, escreve.

Transcrevo um trecho:

Albert Sabin, o médico e cientista polonês-americano, não foi o primeiro a desenvolver uma vacina contra a poliomielite. Mas sua vacina, que é fácil de aplicar porque as crianças só precisam de algumas gotas, salvou o mundo dessa terrível doença conhecida como paralisia infantil – hoje, o vírus só circula no Paquistão e no Afeganistão, segundo a Organização Mundial de Saúde.

Na década de 1970, jornais e emissoras de TV e rádio deram grande destaque às campanhas de vacinação. Diversas vezes, o próprio Sabin veio ao Brasil para incentivar as pessoas a irem aos locais de vacinação. Um dia, em uma reunião na Folha de S.Paulo, um dos principais jornais do Brasil, alguém disse que Sabin era um “autopromotor”.

Emir Macedo Nogueira, então chefe da redação, sempre foi um conciliador. Ele se moveu como um “algodão entre cristais”, como dizia, para resolver o conflito da última e talvez a única greve geral de jornalistas em São Paulo, em maio de 1979. Mas Emir ficou furioso com o comentário sobre Sabin e disse uma única frase notável que encerrou a discussão: “Se Sabin entrasse na redação agora, eu me ajoelharia e beijaria seus pés.”

Cafardo lembra que Elvis foi um grande apoiador da campanha contra a poliomielite.

Na década de 1950, estava sendo aplicada a primeira vacina contra a doença, desenvolvida pelo médico Jonas Salk. Era injetável e tinha baixíssima aceitação pela população. Então, em 28 de outubro de 1956, Elvis, grande sucesso com seu primeiro álbum, foi ao programa de televisão “The Ed Sullivan Show” e tomou a vacina ao vivo. Em seguida, a taxa de vacinação, que era de 0,6%, subiu para mais de 80%.

De acordo com Cafardo, “o conciliador Emir Nogueira, com a elegância que lhe era peculiar”, talvez explodisse com o presidente pelo que está fazendo na pandemia.

Emir Nogueira, no centro. na redação da Folha, na década de 70

Além do exemplo desses homens em meio à burrice, à iniquidade e ao horror negacionista, que não foram inventados agora, eu quis destacar esse texto porque Emir Nogueira é meu pai.

Eu não teria como agradecer o suficiente ao Pedro Cafardo, que não conheço, por me contar essa passagem do velho, da qual não tinha ouvido falar.

(Quantas outras?)

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