O exemplo do Uruguai ao mandar prender o chefe militar que afrontava a Constituição. Por Kiko Nogueira

O presidente do Uruguai, Tabaré Vázquez, e o comandante do Exército Manini Ríos: cana

Era uma vez um país da América do Sul cujo comandante do Exército foi mandado para a prisão por afrontar a Constituição dando opiniões políticas.

O lugar é o Uruguai, o nome dele é Guido Manini Ríos e sua pena é de trinta dias em cana.

Dias atrás, criticou a reforma do sistema de aposentadoria de sua corporação e considerou que o ministro do Trabalho, Ernesto Murro, não estava “bem informado” sobre seus efeitos.

“Se o senhor ministro pegar uma calculadora, tomar os termos da lei e a realidade do nosso soldado, vai perceber que o que eu digo é verdade”, falou a uma rádio.

O presidente Tabaré Vázquez lembrou que Ríos “atua de boa fé e com a lealdade institucional que devem ter as Forças Armadas, mas se equivocou”. Daí a sanção, explicou.

O artigo 77 da Constituição uruguaia estabelece que os militares da ativa devem se abster de “fazer parte de comissões ou de clubes políticos, subscrever a manifestos de partidos, autorizar o uso de seu nome e, de modo geral, executar qualquer outro ato público ou privado de caráter político, exceto o voto”.

O Brasil tem leis do mesmo jaez, mas que são pisoteadas semanalmente.

O velho Villas Bôas está sempre disposto a matraquear sobre temas fora de sua alçada e encontra ressonância fácil. Usando Lula como argumento, ataca os demais poderes. 

Ainda se acha no direito de sabatinar candidatos. E os candidatos vão.

Tabaré afirmou que houve “muitas situações que mereceram algum tipo de advertência”.

Manini Ríos, como seus vizinhos, vem colocando as manguinhas de fora há um tempo.

No final de julho, provocou controvérsia ao recordar o assassinato em 1972 do coronel Artigas Álvarez, irmão do ditador Gregorio Álvarez.

Antes, foi questionado por mandar celebrar um feriado em homenagem ao Exército com uma missa oficiada pelo cardeal Daniel Sturla na Catedral de Montevidéu.

“Eu sou o chefe Forças Armadas. E, se as Forças Armadas têm que ter uma disciplina e uma verticalidade, temos que começar com o número um”, disse Vázquez.

Numa democracia, es lo que haces.