O fenômeno que deve causar calor extremo e inundações no mundo todo em 2026

Atualizado em 27 de março de 2026 às 15:29
Termômetro de rua marca 40ºC em São Paulo. Foto: Estadão Conteúdo

Especialistas do Centro Europeu de Previsões Meteorológicas de Médio Prazo (ECMWF) e da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos EUA (NOAA) indicam a possibilidade de um El Niño mais intenso ainda em 2026. O fenômeno, caracterizado pelo aquecimento anormal das águas do Pacífico Equatorial, pode atingir níveis elevados, com 80% de chance de intensidade forte e 20% de atingir patamar considerado super.

De acordo com o meteorologista Sidney Abreu, do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), os modelos climáticos apontam anomalias da temperatura da superfície do mar em torno de 2 graus acima da média. “Esse valor é próximo dos El Niños mais fortes já observados, como os de 1982/1983 e de 1997/1998. A anomalia de TSM acima da média ocasiona uma mudança na circulação da atmosfera”, afirmou.

O aquecimento altera a circulação atmosférica global e impacta a distribuição de chuvas. Algumas regiões podem enfrentar calor extremo e seca, enquanto outras registram aumento de precipitações. Esse padrão já foi observado em eventos anteriores, incluindo o El Niño de 2023/2024, um dos mais intensos já registrados.

Inundação causada por fortes chuvas no Rio Grande do Sul. Foto: Divulgação/Defesa Civil

No Brasil, a tendência é de redução de chuvas no Norte e Nordeste e aumento no Centro-Sul. “Na região Norte e Nordeste se espera uma redução dos índices pluviométricos causando uma diminuição nos níveis dos rios e dos reservatórios”, explicou Abreu.

Já no Centro-Sul, o cenário é de aumento de chuvas e eventos extremos. “O aumento de índices pluviométricos traz, consequentemente, eventos extremos de chuva, enchentes severas, deslizamentos, granizos e aumento moderado das temperaturas”, afirmou o meteorologista.

O especialista também citou eventos recentes como referência. “Um exemplo foram as chuvas extremas e prolongadas por dias ocorridas no Rio Grande do Sul, sendo este evento o maior do ponto de vista climático ocorrido no Brasil”, disse, ao mencionar efeitos semelhantes durante o último El Niño.

Outro fator apontado é a Oscilação Decadal do Pacífico (ODP), que está em fase quente desde 2020. Segundo Abreu, “essa fase quente é caracterizada por uma frequência maior de El Niños acontecendo no Pacífico Equatorial, além disso, mais intensos”, o que pode potencializar os efeitos climáticos e econômicos do fenômeno.

Caique Lima
Caique Lima, 27. Jornalista do DCM desde 2019 e amante de futebol.