O filho extremista moderado é abandonado pelos comentaristas liberais. Por Moisés Mendes

Atualizado em 20 de maio de 2026 às 18:44
O senador Flávio Bolsonaro. Foto: Divulgação

Leiam o que Fernando Schüler, comentarista do Estadão, disse em março desse ano, segundo resumo de análise feita para a Rádio Bandeirantes e publicada pelo jornal:

“Para o analista, Flávio Bolsonaro vem crescendo politicamente ao adotar um tom mais moderado — ainda que crítico. Essa postura visa diminuir a rejeição e dialogar com setores de centro e econômicos, aproveitando o vácuo deixado por Tarcísio, que foca na reeleição estadual”.

Leiam o que o mesmo Fernando Schüler, comentarista do Estadão, disse na terça-feira, em análise publicada pelo jornal, assim resumida na capa:

“No comentário desta terça-feira, 19, o colunista Fernando Schüler fala sobre o que teria sido uma armadilha criada na direita para o próprio campo com a candidatura de Flávio Bolsonaro. Segundo Schüler, essa armadilha foi construída quando Jair Bolsonaro, tendo a oportunidade de lançar Tarcísio de Freitas, governador de São Paulo, optou pelo filho”.

Apresentação da coluna de Fernando Schüler na home page do Estadão

Esses trechos são exemplares do comportamento de analistas liberais, que se afastam de problemas que eles mesmos ajudam a criar. Flávio, que eles venderam como moderado, já não serve mais.

Mas, se o caso do filme com Vorcaro não tivesse sido denunciado, tudo continuaria numa boa, e o analista e seus parceiros de comentários antilulistas diriam que o filho ungido estaria reduzindo desconfianças com o centro e com o poder econômico.

Flávio caiu em desgraça e foi largado na estrada. Não é fácil criar e manter um autêntico extremista moderado, principalmente se for um Bolsonaro.

Moisés Mendes
Moisés Mendes é jornalista em Porto Alegre, autor de “Todos querem ser Mujica” (Editora Diadorim) - https://www.blogdomoisesmendes.com.br/