O filme A Lei é para Todos e a falta de transparência: advogados merecem aplausos por recorrerem à Justiça. Por Joaquim de Carvalho

Moro vê a si mesmo no cinema

O Sindicato dos Advogados de São Paulo vai à Justiça para obrigar os produtores de A Lei É para Todos a revelar quem são os patrocinadores do filme.

A informação é da coluna de Mônica Bergamo, da Folha de S.Paulo. É que a produção, que custou 16 milhões de reais, apresenta como culpados clientes de advogados que ainda nem foram julgados em definitivo.

“Essa questão está obscura e nossos associados, que defendem réus da Lava Jato, estão preocupados porque as pessoas são apresentadas como culpadas antes mesmo do julgamento final de seus processos.

Será que os patrocinadores são de empresas que prestam serviços públicos? Há algum interesse eleitoral nesse filme?”, pergunta Aldimar de Assis, presidente do sindicato.

Segundo a coluna, os produtores mantêm a decisão de não revelar quem financiou o filme. “Dizem apenas que os patrocínios vieram de pessoas físicas e não de empresas. E que elas não respondem a processo por corrupção”, informa.

Esse mistério lembra o do pagamento a a advogada e professora Janaína Paschoal pelo parecer que fundamentou a farsa do impeachment de Dilma Roussef.

Ela recebeu 45 mil reais para fazer um parecer ao PSDB, mas procurou esconder seus patrocinadores e se apresentava — e ainda se apresenta –, como patriota desinteressada.

Como se viu, não passava de eleitora de Aécio Neves inconformada com a derrota de 2014, como os golpistas de maneira geral.

Hoje, ela até admite que pode vir a ser candidata a algum cargo eletivo.

O MBL nasceu da união de estudantes medíocres ou empresários mal sucedidos que nunca despontaram em sua atividade original, mas que encontraram na militância antipetista um trampolim para se lançar na política.

A falta de transparência dos brasileiros que se dizem mobilizados na refundação da Pátria é regra, não exceção.

É natural que algumas pessoas não queiram aparecer quando fazem doação. Existem motivos legítimos, como vínculo de emprego ou temor de perseguição efetiva.

O DCM, por exemplo, busca nas pessoas físicas o patrocínio para projetos específicos de jornalismo.

Essa captação é feita de maneira transparente, através de uma plataforma de crowdfunding, criada pelo próprio site.

Foi dessa forma que eu consegui recursos para fazer a série de reportagens sobre o helicóptero da família do senador Zezé Perrella apreendido com 445 quilos de pasta base de cocaína, ir a Tortola, nas Ilhas Virgens Britânicas, mostrar o esquema de sonegação de impostos montado pela Globo na aquisição da Copa do Mundo de 2002, contar como Aécio Neves montou a máquina de desviar dinheiro na estatal Furnas, detalhar o caso Miriam Dutra, um exemplo da relação promíscua entre o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e a velha imprensa brasileira, traçar um perfil de João Doria, entre outras coberturas.

Alguns doares pedem que se mantenham no anonimato, entre os quais estão profissionais da mídia corporativa, que não podem ter seus nomes expostos, sob pena de represália nas empresas, assim como detentores de cargo de confiança em governos.

No mecanismo de doação, o próprio doador define o anonimato, uma opção disponível na plataforma. É um motivo legítimo. Mas estas são situações excepcionais.

Em geral, o doador gosta que seu nome apareça ao final de um vídeo como patrocinador. Ele se sente, com razão, como protagonista de um projeto de jornalismo investigativo.

Será que entre os financiadores do filme sobre Sérgio Moro não há ninguém que gostaria que seu nome aparecesse nos créditos como patrocinador?

O A Lei É para Todos despertou a suspeita legítima de que se trata de mais uma iniciativa no sentido de perseguir um partido político e sua principal liderança — esse Para Todos já mostra mostra a que veio.

Parece uma peça de propaganda política e está aí mais uma razão para que seus patrocinadores sejam conhecidos, agora para opróbrio, para as vaias, não para congratulações ou aplausos.

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