O fim da escala 6X1 e o fim da escravidão: a mesma ladainha. Por Moisés Mendes

Atualizado em 11 de fevereiro de 2026 às 21:22
Manifestação de rua pedindo o fim da escala 6×1. Reprodução

Os jornalões têm dado manchetes alarmistas para a possibilidade de fim da escala 6X1 na jornada de trabalho. Este é o título da coluna de Vera Magalhães na capa do Globo:

“Fim da escala 6×1 tem de ser discutido com equilíbrio”

Os jornalões do século 19 tinham a mesma preocupação com o fim da escravidão.

Se fosse manchete de A Província de São Paulo em 1888 (e que vem a ser o atual Estadão), a chamada da colunista ficaria assim:

“Fim da escravidão tem de ser discutido com equilíbrio”

Título da coluna de Vera Magalhães no Globo sobre os debates sobre a escala 6×1. Reprodução

Resumindo, se é que precisa, o ‘equilíbrio’ só interessa a quem detém poder econômico e político e explora o trabalho dos outros.

O fim da escravidão provocou a mesma reação que a redução da escala de trabalho provoca hoje. O Brasil iria acabar.

Não acabou, mas um ano depois os escravocratas se juntaram, convocaram os militares e aplicaram o golpe da ‘proclamação da República’.

O Estadão era, no discurso, pela abolição, como Globo, Folha e Estadão dizem ser hoje pela defesa da democracia.

Mas os jornalões de hoje ajudaram a criar Bolsonaro, que é explicado, ao lado dos seus generais, pelo que aconteceu a partir de 1889.

O medíocre Marechal Deodoro da Fonseca é o pai de todos os generais golpistas, principalmente dos medíocres que estiveram com Bolsonaro e fracassaram na tentativa de derrubar Lula.

Moisés Mendes
Moisés Mendes é jornalista em Porto Alegre, autor de “Todos querem ser Mujica” (Editora Diadorim) - https://www.blogdomoisesmendes.com.br/