O “fundador esquecido” da Apple que não ficou bilionário

Atualizado em 2 de abril de 2026 às 14:23
Ronald Gerald Wayne é o terceiro e menos conhecido cofundador da Apple. Foto: Reprodução

Meio século após a criação da Apple, a história da gigante tecnológica é amplamente conhecida, com Steve Jobs e Steve Wozniak sendo os principais nomes associados à empresa. Contudo, poucos sabem que havia um terceiro fundador: Ronald Gerald Wayne.

O engenheiro de 42 anos entrou para o time no início da Apple, levando sua experiência e ajudando na criação do primeiro logotipo da empresa. No entanto, sua passagem pela companhia foi breve: apenas dias após a fundação da Apple, ele vendeu sua participação de 10% por apenas US$ 800 (R$ 4 mil).

O motivo da decisão tão repentina foi um misto de desconfiança e receio. Wayne temia que os riscos financeiros da nova empresa, como a necessidade de empréstimos para fabricar os primeiros computadores, afetassem seus bens pessoais.

Ele estava cético em relação à estabilidade do negócio, especialmente após os contratempos iniciais na venda dos computadores Apple I. Apesar de Jobs tentar convencê-lo a voltar à Apple, Wayne manteve sua decisão e nunca mais retornou à companhia.

Se Wayne tivesse mantido sua participação, hoje seria bilionário. Com o valor de mercado da Apple estimado em US$ 3,7 trilhões, a parte dele seria avaliada em cerca de US$ 373,3 bilhões (aproximadamente R$ 1,9 trilhão).

Em uma entrevista em 2014, Wayne explicou sua decisão, dizendo que, se tivesse ficado na Apple, provavelmente teria se tornado “o homem mais rico do cemitério”. Ele também relatou que sua verdadeira paixão era fazer algo que amasse, sem precisar trabalhar por dinheiro.

Steve Wozniak e Steve Jobs. Foto: Reprodução

Wayne foi um dos responsáveis pela criação do primeiro logotipo da Apple, que retratava Isaac Newton sob uma maçã, uma referência à inspiração por trás do nome da empresa. Ele também escreveu o manual de instruções dos primeiros modelos e redigiu o contrato de parceria original da companhia.

Logo após sua saída, o logotipo foi simplificado, e a famosa maçã mordida que conhecemos hoje foi criada.

Após vender sua participação, Wayne continuou trabalhando na Atari até o final da década de 1970 e depois se dedicou ao Laboratório Nacional Lawrence Livermore. Embora sua carreira tenha seguido outros rumos, ele não conseguiu replicar o sucesso que teve com a Apple.

Em 1994, ele vendeu o contrato de fundação da Apple para um colecionador por apenas US$ 500. Em 2011, o documento histórico foi leiloado por mais de US$ 1,5 milhão.

Com o passar dos anos, Wayne viveu uma vida tranquila, longe dos holofotes. Hoje, aos 91 anos, ele reside em Pahrump, Nevada, onde mantém um site pessoal. Nele, além de vender suas obras e uma autobiografia, “As Aventuras do Fundador da Apple”, comercializa produtos com o logotipo original da Apple, como canecas, almofadas e bolsas. Wayne nunca teve nenhum produto da marca, nem mesmo um iPhone.

Caique Lima
Caique Lima, 27. Jornalista do DCM desde 2019 e amante de futebol.