
A derrota do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) para o presidente Lula no segundo turno das eleições de 2026 abriu uma disputa pela liderança da direita para 2030, segundo o jornal O Globo. O resultado representa o segundo revés eleitoral consecutivo do bolsonarismo diante da esquerda e põe em xeque a estratégia de Jair Bolsonaro de manter a família no comando do campo conservador.
Preso há mais de um ano após condenação por tentativa de golpe de Estado e inelegível, o ex-presidente escolheu o primogênito para disputar o Planalto. A decisão deixou em segundo plano outros nomes cotados para a sucessão da direita, entre eles o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos).
Flávio surpreendeu parte dos aliados ao liderar o primeiro turno, mas não conseguiu vencer Lula na etapa decisiva. Sua candidatura enfrentou resistência desde o início: os ex-governadores Romeu Zema (Novo) e Ronaldo Caiado (PSD) mantiveram planos presidenciais, enquanto partidos do Centrão demoraram a aderir à campanha.
Na reta final, o senador reuniu apoios de antigos adversários, movimento que preservou a capacidade de mobilização política da família Bolsonaro. A derrota, porém, devolveu ao centro do debate a definição de quem poderá conduzir a direita na próxima disputa presidencial.

Michelle e Tarcísio ganham espaço para 2030
Flávio deixará o Senado em fevereiro e ficará sem mandato eletivo pela primeira vez em 24 anos de carreira política. Pessoas próximas ao senador avaliam que ele seguirá como um dos principais articuladores do grupo, mas terá de manter a aliança eleitoral sem a estrutura de um cargo público e diante de aliados com ambições próprias.
A família continuará representada no Congresso com Jair Renan Bolsonaro (PL-SC), que assumirá uma cadeira na Câmara, e com os senadores eleitos Carlos Bolsonaro (PL-SC) e Michelle Bolsonaro (PL-DF). A ex-primeira-dama terá oito anos de mandato, capital eleitoral próprio e uma rede de aliados formada durante a campanha.
Tarcísio aparece fora do clã como uma alternativa forte para liderar a direita. Reeleito no primeiro turno em São Paulo, ele apoiou Flávio na campanha nacional, mas preservou a própria base política e o controle do maior colégio eleitoral do país. Desde que assumiu o Palácio dos Bandeirantes, também ampliou contatos com empresários e partidos de centro.
O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), reeleito com a maior votação do país, também ampliou sua influência ao participar da mobilização nacional por Flávio e apoiar candidaturas fora de Minas Gerais.
Ele não poderá concorrer à Presidência em 2030 porque ainda não terá os 35 anos exigidos pela Constituição, mas poderá influir na escolha do candidato da direita e nas articulações do Congresso.