O general que substitui o sargento. Por Moisés Mendes

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Originalmente publicado em BLOG DO MOISÉS MENDES

Por Moisés Mendes

Atualizem as informações sobre os militares de Bolsonaro. Temos duas notícias hoje. A primeira é sobre um grande salto na patente do ocupante do cargo de diretor do Departamento de Logística da secretaria-executiva do Ministério da Saúde.

O diretor era o sargento da reserva da Aeronáutica Roberto Ferreira Dias, demitido após denúncia de suspeita de cobrança de propina em negociações sobre vacinas. Dias está depondo nesta quarta-feira na CPI do Genocídio.

O substituto do sargento será o general da reserva do Exército Ridauto Lúcio Fernandes (foto), nomeado hoje por Bolsonaro.

Fernandes entrou na Saúde na gestão do general Eduardo Pazuello. O oficial já atuava desde janeiro na área de logística como assessor especial.

A outra notícia sobre militares é essa, publicada por Malu Gaspar, no Globo. O coronel da reserva Helcio Bruno de Almeida (na foto acima), presidente do Instituto Força Brasil, foi quem viabilizou o encontro do cabo da Polícia Militar de Minas Gerais Luiz Paulo Dominghetti, representante da Davati Medical Supply, com o ex-secretário executivo do Ministério da Saúde Elcio Franco.

A reunião dos coronéis aconteceu na manhã do dia 12 de março e estava prevista na agenda oficial do ministério. Mas não era para falar com a Davati, e sim para tratar do “Contrato Beep”.

Teoricamente, deveria servir para o dono de uma rede privada de vacinação do Rio de Janeiro, a Beep, dar sugestões para regulamentação da lei que permitia a compra de vacinas para a iniciativa privada.

O Brasil 247 relata que, no horário marcado, o coronel Helcio apareceu com Dominguetti, o executivo da Davati Cristiano Carvalho e o reverendo Amilton Gomes de Paula, da Secretaria Nacional de Assuntos Humanitários (Senah), entidade religiosa com sede em Brasília (DF). Quando o secretário de Pazuello chegou, havia cerca de dez pessoas numa sala anexa ao seu gabinete, incluindo o representante da Beep, Vander Corteze.

No encontro, Dominghetti, Carvalho e o reverendo Amilton Gomes de Paula falavam da proposta das 400 milhões de doses de AstraZeneca. Foi discutido um preço de US$ 3,50, mas já estava cotada a US$ 17,50 por dose.

Àquela altura, Dominguetti já tinha feito a oferta ao diretor de logística do ministério, Roberto Dias, que, segundo o cabo, pediu propina de US$ 1 por vacina. O pedido teria sido feito no dia 25 de fevereiro, num shopping de Brasília (DF). Dias negou.

Depois os representantes da Davati tiveram um encontro com o secretário de Vigilância em Saúde, Laurício Monteiro, para a venda sair do papel. Mas o secretário disse que cabia ao 02 do ministério decidir sobre a compra de vacinas.

No dia 11 de março, o reverendo Amilton enviou email ao sócio da Davati nos Estados Unidos, Herman Cardenas, avisando da reunião.

O executivo indicado pela Beep para prestar informações também afirmou que pessoas do mercado de laboratórios indicaram Helcio porque descreviam o coronel como alguém que abria portas no governo.

QUEM É O GUERRA

A Agência Pública descobriu a identidade do “coronel Guerra”, citado em reportagem do Fantástico, no domingo, como possível intermediador de negócios das vacinas.

É Glaucio Octaviano Guerra (foto), coronel da Aeronáutica reformado em 2016. A Pública também descobriu que, em 2 de novembro do ano passado, ele abriu uma empresa, a Guerra International Consultants, no estado de Maryland, Estados Unidos.

Foi com esse militar que o representante da empresa americana Davati Medical Supply, Luiz Paulo Dominguetti, trocou mensagens sobre fornecimento de vacinas.

A Publica informa quer o coronel Guerra é o irmão do meio de uma família de militares e policiais com histórico de acusações de corrupção e ligações com a Família Bolsonaro.

Cláudio Guerra, o mais velho dos três, é um ex-policial federal que já foi acusado de integrar a milícia do Rio de Janeiro, foi preso duas vezes e atualmente tem a aposentadoria cassada pelo Ministério da Justiça. A última foto postada por ele nas redes sociais foi curtida pelo ex-assessor do senador Flávio Bolsonaro, o policial militar denunciado no esquema das rachadinhas, Fabrício Queiroz.

A relação é recíproca: Cláudio também curtiu a foto mais recente de Queiroz com sua família nas redes.

Resumindo, é mais um coronel do círculo de amizades de Bolsonaro e dos oficiais que trabalham para o Centrão no Ministério da Saúde.

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