O genocida da boca suja. Por Moisés Mendes

Bolsonaro manda imprensa “à pqp”. Foto: Reprodução

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Por Moisés Mendes

Nunca antes nesse país um sujeito tão bagaceiro chegou ao poder com uma família tão bagaceira. Nesta quarta-feira, Bolsonaro atacou a imprensa como um coronel dos grotões ataca seus inimigos.

Não atacou com ameaças (essas ele repete quase todos os dias), mas com palavrões. Bolsonaro gritou, ao discursar para cantores sertanejos numa churrascaria:

“Vai pra puta que o pariu, porra. É pra encher o rabo de vocês da imprensa essa lata de leite condensado aí.

Bolsonaro está transtornado com a história dos R$ 15 milhões gastos pelo governo no leite condensado mais caro do mundo. Os ataques foram feitos em discurso, com Ernesto Araujo ao lado.

Depois de dizer as besteiras, o sujeito foi aplaudido e a plateia gritou mito, mito, mito. Araujo, o chanceler, fazia parte do coro.

Era a farra da bagaceirada, mas com um diplomata junto, aquele que segundo Hamilton Mourão será mandado embora logo.

Bolsonaro é mais do que um ogro na presidência, é um ser cada vez mais repulsivo que, pelo cargo que ocupa, convive com todo mundo e faz o que quer.

Esta semana, em evento da Embaixada da Índia, no Clube Naval, ele e seus ministros chegaram sem máscaras.

O embaixador e a mulher dele, que estavam com máscara, ficaram constrangidos e fizeram o quê? Tiraram as máscaras.

Bolsonaro quis e conseguiu impor sua tirania negacionista. Agiu como déspota de republiqueta, como o dono do país, que impõe seus maus modos em festas de autoridades estrangeiras.

Esse é o criminoso que, além de liderar a matança de brasileiros na pandemia, já cometeu pelo menos mais 20 crimes, conforme levantamento feito pela Folha.

A parte reacionária e golpista da imprensa que ele atacou no discurso parece merecer que Bolsonaro mande seus donos à puta que o pariu.

Durante toda a tarde, enquanto a imprensa progressista ou assumidamente de esquerda estampava em manchete as agressões, os grandes jornais demoraram para publicar os ataques.

E quando publicaram, fizeram em chamadas secundárias, sem nenhum destaque. Bolsonaro ataca os jornalões e seus chefes se fazem de mortos.

Eles ajudaram a inventar Bolsonaro e não sabem agora como lidar com a criatura. Globo, Folha e Estadão, o trio que Bolsonaro pretende destruir, não sabem mais o que fazer.

A grande imprensa, que derrubou Jango, golpeou Dilma e mandou Lula para a cadeia, como subalterna do lavajatismo, é pisoteada por Bolsonaro.

Essa grande imprensa, ao contrário do que fizeram os sites e blogs ditos alternativos, já havia escondido nos cantinhos o escândalo do leite condensado e das guloseimas que custaram bilhões.

Quando Bolsonaro diz que o leite condensado é “para encher o rabo de vocês”, ele sabe com quem está falando.