O Grande “Fora Temer”. Por Mauro Donato

Avenida Paulista, 4 de setembro de 2016
Avenida Paulista, 4 de setembro de 2016

 

Michel Temer cutucou. Disse que as manifestações contra seu governo não passavam de 40 ‘quebradores de carro’. José Serra disse que eram ‘mini’ protestos.

Antes de mais nada é bom deixar claro que por menor que seja a manifestação, é infinitamente mais legítima quando formada por ativistas de verdade do que 200 mil pessoas lobotomizadas pela TV.

“Quebrador é ele. Ele quebrou a democracia, violou a Constituição. Então ele pode esperar cada dia mais a população nas ruas para não permitir que ele retire direitos como quer fazer alterando a previdência, as leis trabalhistas, impondo teto para gastos com educação e saúde. Esse governo não chegou pela via democrática do voto direto”, disse o deputado federal Paulo Teixeira ao DCM.

O senador Lindbergh Farias também falou ao DCM:

“O Temer disse que eram manifestações inexpressivas. Nós hoje vamos mostrar para ele. Não vamos aceitar um governo que é contra o trabalhador. Tiranram a Dilma e agora vem a reforma trabalhista para reduzir salários e aumentar a jornada, acabar com a CLT. E também quero avisar que nós estamos entrando com uma representação na Corte Interamericana de Direitos Humanos da OEA pelos abusos da Polícia Militar de São Paulo nessa repressão desmedida contra manifestantes. Eles querem assustar as pessoas, mas não vamos aceitar, vamos denunciar.”

Em reação a essa postura repressora, duas amigas estavam com as bocas vedadas simulando mordaça. “É um recado para ele que quer tirar nossas liberdades, como a de protestar”, disse Karen. “É minha primeira manifestação, mas fiz questão de vir porque ele disse que era pouca gente insatisfeita”, completou Jaqueline.

O ato teve certamente bem mais de 100 mil pessoas. Desde a saída na avenida Paulista até o destino no Largo da Batata, a massa cantou ininterruptamente palavras de ordem contra Temer, contra seu governo, contra o golpe.

Mas também foi uníssono o grito de Diretas Já. Todos os setores da esquerda, até mesmo aqueles anteriormente contrários como a Central de Movimentos Populares, concordam que essa é a solução para nos livrar de um governo sem nenhuma legitimidade.

Ao final, a polícia precisou dar seu espetáculo e dispersou a manifestação (que transcorrera toda ela sem incidentes e absolutamente pacífica) com bombas e jatos d’água. A provocação costumeira.

Se as orelhas de Temer arderam na China, é porque além dos ‘elogios’ e dos gritos para que saia, um boneco que o representava estava confinado em um caixão de defuntos que depois foi queimado pelos manifestantes. Dessa vez Temer foi mantido dentro.

 

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