O grandioso Leão XIV diante do minúsculo Donald Trump. Por Paulo Henrique Arantes

Atualizado em 18 de abril de 2026 às 10:41
Papa Leão XIV e Donald Trump. Foto: reprodução

Donald Trump está em queda livre. Em pouco tempo, não lhe restará sombra de apoio no mundo. Simpatia já não há, ou nunca houve, salvo aproximações pragmáticas para fins geopolíticos. A fatura da insanidade e da imensurável vaidade lhe será cobrada externa e internamente, pois o povo americano vem pagando no dia a dia o preço de sua loucura. A figura é de fato repugnante, alguém que mente sem pudor, que enxerga um mundo subjugado pelo poderio bélico dos Estados Unidos. Porém, o curso da guerra contra o Irã desconstrói a ficção da invencibilidade americana.

Dentre tantas atitudes ridículas, ofender o Papa situa-se no ápice. Posar de Jesus Cristo dá-lhe o lustro da patetice. Trump talvez tenha cometido sua maior asneira retórica, batendo no muro inquebrantável erguido por Leão XIV. Além de corajoso, o Pontífice é inteligente. “O mundo de hoje sofre sob a ação de um punhado de tiranos, que exploram povos inteiros, desviam recursos e justificam o poder com discursos religiosos ou nacionalistas”, discursou o Leão XIV em Bamenda, Camarões. E completou: “Não podemos aceitar que o dinheiro das nações seja gasto em armas, enquanto crianças ficam sem educação e famílias sem assistência”.

Antes, o Papa sentenciara: “Não tenho medo de nenhum governo. A missão da Igreja é proclamar o Evangelho, mesmo quando isso contraria os poderosos”.

Há poucos dias, destacamos neste espaço as diferenças entre os Papas Francisco e Leão XIV. Observamos que o segundo é menos carismático e histriônico, mas igualmente comprometido com os valores humanistas, liderando uma Igreja atuante contra as injustiças e as crueldades. Salientamos que, mesmo em estilo contido, o Papa americano age fortemente para cessarem as guerras. A forma como respondeu a Donald Trump, contudo, nos faz rever a avaliação. Leão XIV domina o verbo e sabe bater duro.

Eis mais um recado direto ao mandatário americano, aspirante a imperador global: “A guerra nasce frequentemente da ilusão de onipotência — da crença de que um líder pode impor sua vontade ao mundo”.

Os católicos progressistas podem se orgulhar de Leão XIV. Sobre o conflito na Palestina, o Papa tanto cobrou a libertação dos reféns israelenses quanto condenou o sofrimento imposto à população de Gaza. Paralelamente, alertou para o crescimento do armamento dos países e pediu mudança de paradigma: uma segurança global baseada em confiança, justiça e fraternidade.

Mais uma vez, vale lembrar o que foi dito por Leão XIV, ao invocar Livro de Isaías no Domingo de Ramos: “Quando estendeis as mãos, escondo de vós os meus olhos; sim, quando multiplicais as vossas orações, não as ouço, porque as vossas mãos estão cheias de sangue”. Como é sabido, o secretário de Defesa americano, Pete Hegseth, recorrera a argumentações religiosas ou linguagem de “guerra santa” para explicar o ataque ao Irã. As contrapartes fanáticas também não serão atendidas em seus apelos aos céus.

Paulo Henrique Arantes
Jornalista há quase quatro décadas, é autor do livro "Retratos da Destruição - Flashes dos Anos em que Jair Bolsonaro Tentou Acabar com o Brasil", editor da newsletter Noticiário Comentado no Substack e CEO da Scarpa e Arantes Comunicação