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O grito por Gaza: a indignação que Edgar Morin deixou ao mundo antes de morrer aos 104 anos

Publicado por
Antônio Beznos Nogueira
-
Atualizado em 30 de maio de 2026 às 10:17
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Edgar Morin

O filósofo e sociólogo francês Edgar Morin faleceu nesta semana aos 104 anos de idade. Manteve sua mente afiada e sua consciência ética ativa até o fim.

Uma de suas manifestações mais contundentes e comentadas dos últimos anos ocorreu em fevereiro de 2024, quando ele denunciou o silêncio internacional para denunciar o que chamou de “matança massiva” na Faixa de Gaza.

Filho de judeus sefarditas e sobrevivente dos horrores do século XX, Morin usou sua autoridade moral para criticar duramente as ações militares do Estado de Israel e a passividade das potências mundiais:

“Estou ao mesmo tempo espantado e ultrajado pelo fato de que aqueles que representam os descendentes de um povo que foi perseguido durante séculos por razões religiosas ou raciais, que os descendentes deste povo, que são hoje os tomadores de decisão do Estado de Israel, que eles possam não apenas colonizar um povo inteiro, expulsá-lo em parte de sua terra e procurar expulsá-lo de vez, mas também, após o massacre de 7 de outubro, engajar-se em uma verdadeira matança massiva sobre as populações de Gaza e continuar, incessantemente, atingindo civis, mulheres e crianças.

E ver o silêncio do mundo, o silêncio dos Estados Unidos, protetores de Israel, o silêncio dos Estados árabes, o silêncio dos Estados europeus que afirmam ser defensores da cultura, da humanidade, dos direitos humanos. Acho que estamos vivendo uma tragédia horrível porque também estamos impotentes diante dessa coisa que está se desencadeando. Pelo menos, eu digo: testemunhem! A única coisa que resta se não pudermos resistir concretamente é testemunhar. Resistamos em nossas mentes, não sejamos enganados, não esqueçamos, tenhamos a coragem de enfrentar as coisas de frente.”

Nascido Edgar Nahoum, o intelectual atuou como tenente das forças combatentes na Resistência Francesa durante a Segunda Guerra Mundial.

Na clandestinidade da luta armada contra a ocupação da Alemanha nazista e contra o fascismo, ele adotou o codinome “Morin” para proteger sua vida e sua família. O pseudônimo de guerra acabou se tornando o sobrenome pelo qual seria reconhecido globalmente. Sua experiência nas trincheiras contra o antissemitismo e a opressão totalitária moldou sua recusa vitalícia em aceitar a violência indiscriminada contra qualquer povo.

Edgar Morin consolidou-se como um dos maiores gigantes intelectuais dos séculos XX e XXI. Sua principal contribuição à humanidade foi a criação do Pensamento Complexo (Teoria da Complexidade). Morin revolucionou as ciências ao combater a fragmentação do conhecimento, defendendo que os problemas do mundo — sejam geopolíticos, sociais ou climáticos — estão profundamente interligados e não podem ser analisados de forma isolada.

Autor de obras fundamentais como a série “O Método” e o influente “Os Sete Saberes Necessários à Educação do Futuro” (escrito para a Unesco), Morin usou sua relevância global para atuar como um farol humanista. Ele defendia apaixonadamente uma “cidadania planetária” baseada na empatia, na compreensão mútua e na autocrítica.

Powerful words by 102 years old philosopher Edgar Morin, one of France’s most revered intellectual figures, as well as a Jewish WW2 resistant who fought as a lieutenant in De Gaulle’s France combattante.pic.twitter.com/0xmKJX0Uu4
Here are his words on Gaza: “I am both astonished…

— Arnaud Bertrand (@RnaudBertrand) February 15, 2024

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Antônio Beznos Nogueira
Antônio Beznos Nogueira
Antônio tem 21 anos, é repórter, editor de vídeo, estuda Rádio, TV e Internet e toca bateria nas noites paulistanas.
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