O homem que diz ter ganhado fortuna vendendo terrenos na Lua

Atualizado em 8 de abril de 2026 às 20:21
Dennis Rope e os "lotes" lunares
Foto: Reprodução

Dennis Hope, um ex-vendedor de automóveis dos Estados Unidos, afirma ter ficado milionário vendendo lotes na Lua depois de interpretar uma brecha no “Tratado sobre o Espaço Exterior”, de 1967. A ideia, segundo ele, surgiu em 1980, durante um divórcio, quando decidiu procurar uma forma de ganhar dinheiro e concluiu que poderia negociar terrenos no satélite natural da Terra. Com informações do g1.

Hope foi a uma biblioteca, consultou o tratado da ONU e se apoiou no artigo 2, que estabelece que “a Lua e outros corpos celestes não estão sujeitos a apropriação nacional por reivindicação de soberania, uso ou ocupação, nem por nenhum outro meio”. A partir disso, adotou a leitura de que, se um país não podia reivindicar a Lua, uma pessoa física poderia tentar. “Era uma terra sem dono”, afirmou. Depois, enviou às Nações Unidas uma reivindicação de propriedade sobre a Lua, os outros oito planetas e suas luas, informando que pretendia subdividir e vender essas áreas. Segundo seu relato, nunca recebeu resposta.

Desde então, ele diz vender terrenos em hectares na Lua e também em Marte, Vênus e Mercúrio. Hope afirmou à BBC, em 2007, que chegava a vender, em média, 1,5 mil terrenos por dia e escolhia os lotes fechando os olhos e apontando um ponto no mapa lunar. Em 2019, declarou ao “Politico” que já havia obtido cerca de US$ 12 milhões de lucro com esse negócio, que, segundo ele, se tornou sua única atividade desde 1995.

O por da terra, foto tirada durante a missão Artemis II, da NASA.
O por da terra, tirada durante o sobrevoo lunar da Artemis II. Foto: Reprodução/NASA

Os números apresentados por Hope incluem lotes mínimos de um acre, o equivalente a 0,4 hectare ou 4 mil metros quadrados. Ele também disse oferecer propriedades de “tamanho continental”, com 5.332.740 acres, por US$ 13,331 milhões. Segundo sua versão, esses terrenos maiores ainda não foram vendidos, mas áreas de 1,8 mil e 2 mil acres já teriam sido negociadas. Hope afirmou ainda que 1,8 mil grandes corporações compraram propriedades com propósitos específicos, entre elas as redes Hilton e Marriott, além de ex-presidentes americanos e estrelas de Hollywood.

Para dar sustentação política e jurídica ao modelo criado, Hope declarou ter organizado uma república democrática chamada “Governo Galáctico”. Ele disse que a Constituição foi redigida ao longo de três anos e publicada na internet em março de 2004. Segundo seus números, havia 3,7 milhões de proprietários e 173.562 votos para ratificação do texto. Hope também afirmou manter relações diplomáticas com 30 governos e buscar reconhecimento para ingressar no Fundo Monetário Internacional. A BBC registrou que não conseguiu confirmar essas alegações de forma independente.

A discussão sobre posse da Lua é anterior ao caso de Hope. Em 1936, Dean Lindsay reivindicou a propriedade de objetos extraterrestres. Já o advogado chileno Jenaro Gajardo Vera registrou em cartório, em 25 de setembro de 1954, um documento em que aparecia como “dono da Lua”. Mais tarde, disse que fez isso para cumprir exigência patrimonial e entrar no Clube Social de Talca, no Chile.

Apesar dessas iniciativas, especialistas citados no texto afirmam que a Lua não pertence legitimamente a ninguém. Claire Finkelstein, professora da Universidade da Pensilvânia, respondeu “não” à possibilidade de alguém se declarar dono da Lua, enquanto Ian Crawford, do Birkbeck College de Londres, apontou ambiguidade da lei internacional em relação à exploração comercial privada no espaço e defendeu a revisão do tratado de 1967.

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