O horário abjeto do futebol

No Emirates, estádio do Arsenal: às 10 da noite já estava em casa
No Emirates, estádio do Arsenal: às 10 da noite já estava em casa

Acompanho à distância o conflito entre o Corinthians e o Clube dos 13.

Temo que, pela primeira vez, eu não esteja torcendo pelo Corinthians. A posição de Andrés Sanchez, presidente do Corinthians, é suspeita. Deixar o Clube dos 13 exatamente no momento em que se propõe uma nova forma de licitação para as emissoras interessadas em transmitir o Campeonato Brasileiro? Qual o sentido?

Uma pista para encontrar o propósito do gesto de Sanchez é ver para quem não interessa uma mudança nas regras. Para a Globo. Sanchez se alinhou com a Globo.

Fato.

O que está por trás deste alinhamento não sei. Mas a aliança é inquestionável.

Se é verdade que ele acha que o Corinthians vai ganhar mais dinheiro negociando sozinho os direitos de transmissão, por que não fez isso antes?

Que o futebol é uma enorme sujeira na administração, não é novidade. Recentemente, um documentário da BBC mostrou que três altos diretores da Fifa são acusados de corrupção em larga escala. Um deles é Ricardo Teixeira.

Dias depois de passado o documentário, na patética festa da CBF em que a torcida do Fluminense se comportou como uma manada, Teixeira estava ali, impávido, prestigiado por Lula, que também compareceu.

Como tem notado Zé Simão, cai Mubarak, Gaddafi balança – e Teixeira segue em frente.

O atual esquema de televisão é bom para a Globo. O horário que a Globo impõe permite que passe antes suas abomináveis novelas.

Mas e para o torcedor e o telespectador?

É péssimo. Um jogo que comece às 22 horas é um tormento para a platéia. Se você considera o tempo que você leva para voltar para casa, a manhã seguinte está em parte perdida.

É imperioso que isto mude. Se a Globo não muda, petrificada em sua grade, que outro mude.

No Reino Unido, os jogos começam às 19h30. Em duas horas, você está no metrô. Por volta das 22 está em sua casa para tomar um lanche, reclamar do juiz com sua mulher e, se for o caso, rever os melhores momentos na televisão.

Sanchez pensou em muitas coisas, provavelmente.

Mas não no torcedor.

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