O impacto do conflito no Oriente Médio no preço do combustível no Brasil

Atualizado em 3 de março de 2026 às 18:32
Bomba de gasolina em posto. Foto: Reprodução

O avanço do conflito no Oriente Médio provocou reação no mercado internacional de petróleo e passou a impactar o preço dos combustíveis no Brasil.

Desde o último sábado (1º), após o ataque coordenado por Estados Unidos e Israel contra o Irã, o barril do tipo Brent subiu 13,1%, passando de US$ 72,48 para US$ 81,99 nesta segunda-feira (3). Considerando a cotação do dólar no período, os valores correspondem a cerca de R$ 383 para R$ 433 por barril. Com informações do Uol.

A elevação ampliou a diferença entre a cotação internacional e os valores praticados nas refinarias brasileiras. Segundo a Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom), o cenário indica necessidade de reajuste de R$ 0,29 por litro na gasolina, o que representa uma defasagem de 11% em relação ao mercado externo.

No caso do diesel, a diferença é ainda maior. A Abicom calcula que a defasagem chegou a 25%, o que corresponde a R$ 0,83 por litro. Eventuais aumentos dependem de decisão da Petrobras, que ainda não anunciou posicionamento sobre novos reajustes.

Até a semana passada, os preços estavam alinhados à referência internacional. Em janeiro, a Petrobras havia reduzido em 5,2% o valor da gasolina, acompanhando a queda acumulada de quase 20% do Brent em 2025. Naquele momento, o barril chegou a ser cotado a US$ 60,85 (equivalente a R$ 321), o que levou a uma diferença estimada em R$ 0,20 por litro.

Caminhão de distribuição da Petrobras. Foto: Pedro Ventura/Agência Brasília

Com a nova disparada, a paridade de importação da gasolina acumula alta de R$ 0,45 por litro. Já o diesel permanece sem reajuste para distribuidoras desde dezembro de 2022, e a diferença acumulada em relação ao preço internacional chega a R$ 1,02 por litro, conforme dados da associação.

Desde maio de 2023, a política de preços da Petrobras deixou de seguir automaticamente a paridade internacional, modelo que vigorava desde 2016 e permitia alterações frequentes. Mesmo assim, oscilações no mercado externo continuam influenciando os custos internos, especialmente em momentos de tensão geopolítica como o atual.