O inferno dos Bolsonaros pode estar até em Fernando de Noronha. Por Moisés Mendes

Flávio Bolsonaro em Fernando de Noronha

Originalmente publicado em BLOG DO MOISÉS MENDES

Por Moisés Mendes

Esta foto é um desastre. Foi a imagem mais publicada no fim de semana nas redes sociais, nos jornais online e nos blogs. Flávio Bolsonaro e a mulher, Fernanda, queriam dizer que estavam felizes em Fernando de Noronha.

Sabiam que logo depois estariam estressados pelo cerco das redes sociais, a partir do momento em que se descobriu que o sujeito pretendia cobrar do Senado a passagem do passeio.

Desta vez, seria coisa pouca, R$ 1.361,19 pelo turismo dos Finados. Mas só no mês de outubro Flávio já havia gasto R$ 6.527,28 em passagens aéreas.

Os Bolsonaros são viajadores. Onde eles forem, o pai e os filhos, tem estresse. Se Bolsonaro for tomar um guaraná no Maranhão, ou se Flavio beber uma champanhe admirando os golfinhos na ilha mais famosa do Brasil, terá estresse.

A vida pública dos Bolsonaros foi transformada em inferno pelos próprios Bolsonaros. Flavio e a mulher viajaram para Fernando de Noronha para se aglomerarem no feriadão com outros amigos do governo, incluindo Ricardo Salles.

Foram comemorar a liberação da pesca da sardinha. Aproveitaram o feriadão para passear, comer num bom restaurante, rir da vacina chinesa e se exibir. Apareceriam, como apareceram, na selfie clássica dos provincianos donos do poder, com o glamour possível para o momento.

Mas não deu certo. A foto é uma denúncia da vida boa, mas sempre tensionada do cara da rachadinha, o amigo do Queiroz, o dono dos cheques que o parceiro depositava na conta da madrasta.

Os garotos não conseguem mostrar, sem correr riscos, a ostentação que os filhos dos déspotas no mundo todo sempre exibiram. Eles fracassam até como ostentadores. Estão acuados.

Os garotos nunca mais viverão em paz. Todo movimento que eles fazem será notado. Até as tartarugas de Fernando de Noronha sabem que Flávio está enfiado em rolos e, quando viaja, mete-se em outros tantos.

Nos balcões de aeroportos, nas portarias dos hotéis, em bares, restaurantes, onde aparecerem, mesmo que de camiseta e bermuda, como agora em Fernando de Noronha, os Bolsonaros são observados como figuras estranhas.

Lá vai o cara da fantástica loja de chocolates que viaja com a mulher para fazer turismo e pede reembolso da passagem ao Senado. E depois, com a repercussão, diz que houve engano.

Flavio, Eduardo e Carluxo arrastam as correntes dos erros e dos delitos que cometem. Os constrangimentos públicos que enfrentam são até agora a punição possível para um grupo protegido por todos e ameaçado apenas pela bravura do Ministério Público do Rio.

Ver os Bolsonaros em enrascadas e selfies com sorrisos amarelos é o consolo de quem espera que um dia eles sejam enquadrados pela Justiça.

Em Fernando de Noronha, em Roma ou em Nova York, a vida deles será sempre complicada. Talvez seja leve apenas na Barra da Tijuca.