O “jargão simplório”. Por Fernando Brito

Eduardo Pazuello e Jair Bolsonaro

Originalmente publicado em TIJOLAÇO

Por Fernando Brito

“Um jargão simplório colocado para discussão na internet”.

A definição canalha dada ontem à CPI por Eduardo Pazuello sobre aquele “um manda, o outro obedece” ajuda a compreender a estratégia de Jair Bolsonaro para a cada vez mais difícil empreitada de permanecer na Presidência. pela reeleição ou pelo golpismo que sempre acalentou e não pode exibir abertamente, como um “amor proibido” que lhe transborda a toda hora.

“Um jargão simplório colocado para discussão na internet” é e será a afirmação do “machão das redes”, o homem que combate os preços altos, mas recria a inflação, que defende um “nacionalismo” que vende o país, defende a “moral” e se expressa do modo mais chulo que já fez um chefe de Estado. É como pretende enfrentar o desafio de 2022, no qual não tem condições de enfrentar qualquer debate com um mínimo de racionalidade e nem mesmo com as promessas de 2018, invalidades pela realidade de seu governo.

Bolsonaro é a mais perfeita expressão daquela triste frase de Roberto Jefferson sobre despertar “os instintos mais primitivos”: armas, sexo, liberdade que ignora direitos coletivos, desmonte das instituições e regras de convívio. Ah, sim, e fé em um Deus mau, opressivo, repressor, crença que se resume ao culto hipócrita e não à prática da fraternidade.

Assim, ele é atrativo como o que Adoniran Barbosa chamou de “apreciar a demolição” que faz de tudo o que este país já construiu e acumulou em civilização. Em qualquer ação social, a proposta é, no máximo, a que Paulo Guedes volta e meia sugere para tudo: um “vaucher“.

A estratégia bolsonariana exige que o “campo de batalha” seja o árido para o raciocínio, estéril para a civilidade e fértil para o xingamento, a mentira, as “fake news”, a petulância imbecil.

Daí a sua ofensiva, agora, para aprovar “garantias de liberdade” nas redes, que quer tornar incensuráveis, mesmo diante de publicações falsas, grotescas, fantasiosas, como ele próprio é.

A sua preocupação tem sentido: militares e parlamentares, as outras bases de seu tripé de poder, ainda estão firmes. Mas, neste momento, o apoio das redes fraqueja.

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