O JN abre suas baterias: na guerra entre Globo e Bolsonaro, que ambos se matem. Por Donato

Renata Vasconcellos e William Bonner no Jornal Nacional da Globo. Foto: Divulgação/Twitter

Memorize esta data: 19 de fevereiro. Foi provavelmente o primeiro dia em que o Jornal Nacional terá iniciado uma guerra diária contra Jair Bolsonaro. A edição de ontem contou longos e intensos minutos, repletos de expressões sisudas de seus apresentadores.

Quem te viu, quem te vê. Em menos de dois meses, o governo que se elegeu pelo falacioso discurso anticorrupção passa a ter tratamento similar ao dispensado aos anteriores, quando desafetos da Globo.

Praticamente metade do JN foi dedicado a denúncias das diversas espécies de laranjais bolsonaristas, com ênfase, claro, no diz-que-diz digno de novela mexicana que envolve aquele bando de orangotango.

Um governo que se elegeu por whatsapp e por whatsapp governa (ou tenta)irá permanecer batendo na tecla de que Gustavo Bebianno era um ‘infiltrado’, alguém que estava vazando informações para a ‘imprensa inimiga’.

Bebianno era ministro da Secretaria Geral, foi presidente interino do partido, cuidou da campanha de Bolsonaro desde aprimeira hora. Agora é um ‘infiltrado’?

As redes sociais do clã Bolsonaro simplesmente ignoram o laranjal do PSL. Nem mesmo o vídeo que o presidente gravou como despedida a Bebianno foi compartilhado.

Ou seja, os apoiadores deste governo, que na escuridão vivem, na escuridão votaram, na escuridão permanecerão em termos de informação.

Mas eis que o destino prega uma peça. Ironicamente, o whatsapp que elegeu será o mesmo que irá derrubar o presidente. Sobretudo se novas mensagens vierem a público com teor mais explosivo. 

Bebianno já trocou sua foto de perfil por uma na qual está com uma metralhadora em mãos. Teria ele gastado todo o pente de munição ontem mesmo? A ver.

Declarar como persona non grata um alto executivo da Globo, Paulo Tonet Camargo, foi dar combustível para a emissora que conversa com a grande maioria de brasileiros que não votou em Bolsonaro. Algo como 89 milhões de pessoas aptas ao voto.

Bolsonaro comprova ser totalmente desqualificado para o posto ao demitir aquele ministro com um mínimo de interlocução política no Congresso. O resultado pôde ser visto ontem mesmo com derrotas na Câmara (que derrubou o projeto que facilitava a decretação de sigilo absoluto a documentos públicos) e no Senado (que resolveu chamar Bebianno para que se explique sobre o imbróglio todo dos últimos dias).

Ato contínuo, o governo saiu dando suas já costumeiras caneladas. O porta-voz disse que não eram derrotas e, poucos minutos depois, o general – e vice-presidente – Hamilton Mourão concordou que sim, eram. “Perdi. Perdeu, playboy”, disse ele.

Não há duas frases seguidas em concordância no primeiro escalão da equipe bolsonarista. Pudera. Este governo foi montado às pressas, sob um partido nanico que se mostrou receptivo a centenas de aventureiros.

Prova contundente é um dos trechos de áudio tornados públicos ontem no qual Bebianno defende-se com um “Não sabemos quem é quem”, sobre as laranjas nas campanhas estaduais.

A tal ‘comunicação direta’ entre governante e seguidores, baseada em tuítes e posts de Facebook, mostra-se um voo de galinha tão logo a campanha chegue ao fim. Mal gerenciada, como é o caso do atual e despreparado governo, torna-se um tiro no pé.

A Globo irá ganhar a simpatia de adversários em alta velocidade nos próximos dias.

Aguarde para ver. E quando ela quer derrubar alguém, meu caro, é páreo duro.

O jornalismo do DCM precisa de você para continuar marcando ponto na vida nacional. Faça doação para o site. Sua colaboração é fundamental para seguirmos combatendo o bom combate com a independência que você conhece. A partir de R$ 10, você pode fazer a diferença. Muito Obrigado!