O jogo duplo dos EUA no escândalo da vigilância

O governo americano acha normal espionar seus cidadãos, mas ataca a China por “roubar segredos militares” na rede.

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Publicado originalmente no People’s Daily Online.

 

Após a exposição do programa de vigilância Prism, o governo dos EUA tem procurado fazer três coisas:

A primeira é enfatizar a necessidade de o programa de monitoramento secreto. Um porta-voz do governo dos EUA e outros altos funcionários têm defendido repetidamente o programa e tentaram alegar que o projeto tem ajudado a Agência de Segurança Nacional a detectar e frustrar dezenas de conspirações terroristas. O presidente Obama insistiu pessoalmente que o projeto serve apenas como uma medida antiterrorista para garantir a segurança dos norte-americanos, e ele afirmou que ele está pronto para explicar o programa para os líderes europeus no G8.

A segunda é convencer tanto o seu público doméstico quanto o internacional das metas razoáveis ​​do programa Prism. O governo citou o Patriot Act para justificar a sua legitimidade e afirmou que as medidas eram para evitar que os dados monitorados fossem utilizados irregularmente. Tentou distinguir o projeto de vigilância secreta do Prism dos chamados “ataques cibernéticos chineses”, alegando que não há nenhuma semelhança entre os dois. De acordo com o relato dos EUA, o objetivo do primeiro é “monitorar e rastrear as pessoas que querem fazer o mal”, enquanto o da China quer “roubar segredos comerciais e militares”.

A terceira é a intenção de eventualmente extraditar Snowden e trazê-lo de volta aos Estados Unidos para ser julgado. Aos olhos de autoridades americanas, as revelações de Snowden sobre o Prism representam uma grave violação da lei americana.

Obviamente, se olharmos para a resposta do governo dos EUA às denúncias do PRISM, sua primeira prioridade era “apagar o fogo”. Dois problemas fundamentais do Prism não podem ser ignorados.

Em primeiro lugar, a inconsistência interna do governo dos EUA foi exposta aos olhos do público.

Os americanos se importam profundamente com a sua privacidade, e o governo americano faz um grande show para dizer que protege as liberdades civis. Após o impacto psicológico do 11/9, o público aceitou algumas restrições governamentais significativas em nome do “combate ao terrorismo”. Mas, de acordo com Snowden, o governo americano vem exercendo todo o poder da sua tecnologia e de sua autoridade para controlar uma vasta gama de informações privadas. Um setor significativo da mídia dos EUA agora acredita que esse monitoramento se estendeu para muito além das necessidades de antiterrorismo e para o domínio de violação do direito do cidadão à privacidade. Se o público vai aceitar esse nível de infração continua a ser uma incógnita.

Em segundo lugar, os EUA aplicam um jogo duplo.

Nos últimos anos, e ainda mais nos últimos meses, o governo dos EUA e o público em geral têm se empenhado em uma campanha de difamação da China sobre o tema da segurança da internet. Mesmo após a divulgação do Prism, os EUA ainda tentam defender a pirataria em larga escala de dados de outros países. Como é o caso com o combate ao terrorismo, os EUA estão sempre prontos para classificar o “ataque à Internet” como sendo “bom” ou “ruim” de acordo com seus próprios interesses.

O Prism expõe o elemento hipócrita da política interna e externa dos EUA para que todos possam ver. Quantas ações similares nos Estados Unidos permanecem sem ser reveladas? O governo dos EUA não hesitou em distorcer a verdade sobre a guerra contra o terror, em geral, e sobre a guerra no Iraque, em particular. Essa enganação do público fez sérios danos à sua imagem nacional. A estratégia de contraterrorismo dos EUA se destina a melhorar a segurança pública, mas ela pode levar a uma perda de confiança na política do governo. Como é que o governo dos EUA se defende frente a um público internacional se estiver dividido pela discórdia interna?

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