
Entre setembro do ano passado e fevereiro desse ano, a Folha de S. Paulo publicou 332 textos de colunistas com produção parcial ou quase total de Inteligência Artificial. É uma quantidade que representa 8% dos textos publicados. Não é pouca coisa.
Em 98 artigos, os textos detectados como de IA ocupavam mais de 80% do conteúdo. A colunista Natalia Beauty publicou 25 artigos, e 18 apareciam com mais de 80% de conteúdo gerado por IA.
São informações da ombudsman Alexandra Moraes nesse domingo no jornal, a partir da verificação de ferramentas que têm quase 100% de acerto quando dizem que tal texto tem IA e em que índice: o Claude, da Anthropic, e a Pangram.
E agora a informação mais preocupante. Só Natalia admite que usa IA. Mas outro colunista tinha 3 de 5 textos com índice de 80% de IA. Outra autora tinha IA em 11 de 20 textos. Mais um tinha 8 de 19 e por último um tinha 6 de 57.
Só que todas essas figuras, que logram o leitor do jornal com textos que não são deles, não querem admitir que usam IA. A ombudsman não conseguiu que ninguém confesse que não escreve os textos, e um deles ameaçou, se fosse denunciado, com “com graves consequências e desdobramentos”.

O argumento de todos eles deve ser o de Natalia Beauty: ela pensa e o robô escreve o que ela determina que escreva, ou seja, pensamento e escrita ficam separados.
É uma fraude. O leitor é enganado. A ombudsman revela que a ferramenta identificadora de IA acerta todas por causa do formalismo dos textos, que seguem um padrão, geralmente sem surpresas, sem inventividade e sem marca de autoria. A Folha será, daqui a pouco, o jornal dos robôs.
Eu só confio, com 100% de certeza, na autenticidade dos textos do Carluxo, que robô nenhum é capaz de imitar.
(Eu gostaria de saber quem são os colunistas famosos da Folha, além de Natalia, que usam IA.)