O jornalismo das corporações é um cavalo cansado. Por Moisés Mendes

Atualizado em 17 de maio de 2026 às 18:45
Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro – Foto: Reprodução

O jornalismo cansado das corporações não teve fôlego para manter a pauta Flávio-Vorcaro nas capas. Podemos pensar que é deliberado, e em parte pode ser, mas não haveria ganho algum nessa postura.

Redações vivem do enfrentamento, da guerra para oferecer o que o jornal concorrente não tem. Ainda é assim em qualquer país, desde o primeiro jornal de poste.

Os jornais brasileiros perderam ímpeto, não só com a falta de renovação de quadros no mesmo ritmo do século 20 , mas por causa da perda da índole para a descoberta do que alguém quer esconder. O temperamento do jornalismo das grandes redações vem mudando.

É ruim, porque tudo o que queremos saber hoje é o que os Bolsonaros esconderam todo esse tempo, além do que já se sabe.

O Intercept deu o furo (sim, o furo ainda existe), todos correram atrás e pouco foi acrescentado pelos jornalões como informação relevante.

Amanhã pode mudar, até com a presença de alguém de Folha, Estadão e Globo na área de atuação de Eduardo nos Estados Unidos. Por que ninguém está vasculhando a vida de Eduardo, se ele é protagonista das relações do irmão com Vorcaro?

Hoje, o que se tem é o jornalismo de folga. Os comandos das empresas e das redações determinam essa falta de ânimo, mas não é isso que explica tudo.

E não há como não admitir que ainda hoje são as grandes redações que têm estruturas, recursos e muita gente para fazer o que ainda chamam de jornalismo investigativo. Mas o jornalismo desses grupos é um cavalo cansado.

(E por falar nisso, e para provar que esse jornalismo está vivo em outros veículos, acesse o link abaixo, da série do ICL sobre ‘Bandidos de farda’, coordenada por Juliana Dal Piva. O pântano do fascismo não tem fim. Juliana é, há muitos anos, a grande jornalista investigativa brasileira.)
https://iclnoticias.com.br/lp/bandidos-de-farda

FORA DE LINHA

Enquanto a extrema direita se desintegra e desaba sobre o centrão, essas são as manchetes de domingo dos três maiores jornais do Brasil:

Esta é a manchete da Folha:

“Irã mantém atos diários de apoio ao governo após mais de 2 meses de guerra, relata enviada da Folha ao país”

Esta é do Estadão:

“Bet do ‘maior grupo de apostas ilegais do mundo’ tem aval do governo Lula para operar no Brasil”

E esta é a manchete do Globo:

“Omissões, concorrência e prisão do pai põem em xeque delação de Vorcaro”

Os três jornalões são incapazes de acrescentar uma informação nova, uma só, sobre o caso Flávio-Vorcaro e fogem para outras pautas.

A manchete do Estadão é a mais descaradamente escapista e terrivelmente bolsonarista.

Moisés Mendes
Moisés Mendes é jornalista em Porto Alegre, autor de “Todos querem ser Mujica” (Editora Diadorim) - https://www.blogdomoisesmendes.com.br/