O jornalismo sério precisa de comprometimento. Por Moisés Mendes

Publicado originalmente no Blog do Moisés Mendes:

Esta manchete do Globo online é o resultado de uma daquelas empreitadas em que o repórter, o editor e as fontes perderam tempo.

O jornalismo sério não pode tentar sugerir que Bolsonaro esteja dependurado no penhasco só por causa da CPI e da corrupção.

Qualquer aprendiz de cientista político sabe que, se a economia estivesse bem, poucos dariam bola para as questões ditas morais do governo de Bolsonaro.

Bolsonaro seria criticado e desprezado pelos de sempre. O que ameaça Bolsonaro é o desalento generalizado, a miséria, o engano da ‘reação’ do PIB que não significa mais nada, a pobreza da classe média, o preço do gás e da gasolina, o desemprego, a inflação.

São as panelas vazias, estúpido. É a economia morta, a falta de perspectivas, a sabotagem genocida das vacinas. A CPI ajuda, mas não explica.

O povo não vê as transmissões da CPI. O povo está desesperado sem saber como se salvar enquanto Bolsonaro anda de moto.

SILÊNCIO
Por que tantas instituições, entidades e pessoas e tantos partidos e líderes políticos ficaram tão silenciosos diante da nota dos militares com ameaças ao presidente da CPI do Genocídio?

GARUPA
Tenho parentes e conhecidos bolsonaristas, mas não conheço ninguém que vá participar do mico do desfile de motos deste sábado em Porto Alegre.

Se fosse a cavalo, pelo menos dois conhecidos iriam, com certeza. Mas só um deles tem cavalo. Um teria que ir na garupa do outro.

FURA FILA
O canalha Olavo de Carvalho, inimigo dos serviços públicos, dos servidores públicos e do Brasil, deixou os Estados Unidos, onde não teria como pagar hospital para tratar problemas respiratórios e cardiológicos, e veio pedir socorro ao SUS.

Chegou de viagem, furou a fila de internações e está acomodado no InCor (Instituto do Coração) do Hospital das Clínicas da USP desde a tarde de quinta-feira.

O bolsonarista entrou no Incor pelo Sistema Único de Saúde, sem passar pela central de regulação de leitos (Crosp) do governo paulista.

Há revolta entre os médicos. Muitos deles aguardam há meses por um leito para seus pacientes do SUS.

Como Olavo conseguiu furar a fila? Quem de dentro do InCor foi cúmplice de quem mandou Olavo passar na frente de todo mundo? Foi uma ordem de Brasília? É o que o Ministério Público terá de descobrir.

Por que a família Bolsonaro, que custeou as despesas de Fabrício Queiroz no Albert Einstein, também não paga hospital de rico para o guru que pisoteia servidor público?

Eu torço muito para que a vaga tomada pelo fascista seja logo liberada e ocupada (depois de bem desinfetada) por quem reconhece o valor do SUS e do serviço público em todas as áreas, e não só na saúde.

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