O livro de Obama vai encalhar no Brasil. Por Moisés Mendes

Originalmente publicado em BLOG DO MOISÉS MENDES

Por Moisés Mendes

Barack Obama só não deu entrevista ainda para The Caverá Times. Dizem que tem jornal refugando entrevista de Obama, oferecida pela editora do livro de memórias dele no Brasil. Uma Terra Prometida foi editado pela Companhia das Letras. É preciso vender o livro.

Nas entrevistas, Obama não diz nada com nada. Os petistas reclamam porque ele anda falando mal de Lula, para fazer média com a direita. Mas o cara acha mesmo que a direita vai comprar o livro?

Obama aderiu ao truque da direita brasileira. Se falar de qualquer coisa, tem que meter o Lula na conversa. Ah, o Bolsonaro é isso e aquilo. Mas o Lula foi processado e preso como corrupto. Obama ouviu dizer que foi assim e decidiu repetir o que a direita repete.

Mas não acho que seja esse o maior problema das entrevistas. Vi a conversa dele com o Pedro Bial na Globo e a entrevista a Sergio Davila, diretor da Folha, por escrito.

O resumo das duas conversas é esse: Obama esconde um pensamento raso em declarações fofas sobre liberdades, diversidade, combate ao racismo, ambientalismo e humanismo. Todos temas de uma conversa feijão com arroz. São assuntos colegiais.

Obama fala obviedades, discorre sobre platitudes, é mediano, quase simplório. É como se fosse um sábio americano falando para o povo atrasado do sul. É o que antigamente se chamava, de forma pejorativa, de conversa para índio.

Obama trata a inteligência dos brasileiros com desprezo, o que talvez até faça sentido e seja coerente com a imbecilização produzida pelo bolsonarismo.

Mas Obama seria assim mesmo ou está tentando enganar para vender o livro? Alguns dizem que é, que Obama é mais pose do que conteúdo. O certo é que quase tudo o que ele diz nas entrevistas o Luciano Huck e o Datena também poderiam dizer.

Na entrevista à Folha, ele diz: “Não há como negar o dom que Lula possuía de se conectar com as pessoas e o progresso que foi feito nesse período para tirar pessoas da pobreza. Mas, como escrevi, sempre havia rumores girando em torno dele sobre clientelismo, e está claro que o Brasil ainda tem problemas profundos com a corrupção sistêmica”.

Mais um pouco e Obama vira um Sergio Moro com essa conversa de corrupção sistêmica.

A Companhia da Letras deve ter orientado mal o ex-presidente. Deve ter dito que ele falaria para a maior TV do Brasil, que lidera o antilulismo e liderou o golpe, e para o maior jornal, também marcadamente antiPT, antiesquerda e antitudo que não seja ‘liberal’.

E aí Obama veio com tudo, com a conversa básica que um republicano inteligente não repetiria. Obama passou do ponto.

O livro vai encalhar no Brasil. A única solução é a direita lavajatista fazer encomendas e distribuir para os seus leitores. Dariam de brinde junto com o vídeo em que Putin fala da masculinidade de Bolsonaro.

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