O lixo bolsonarista sustentado com dinheiro público. Por Moisés Mendes

Atualizado em 20 de maio de 2022 às 11:55
Foto: Reprodução

A reação mais previsível a quem critica sem muitos rodeios qualquer tipo de manifestação dita artística é a do preconceito cultural.

É disso que posso ser acusado agora ao dizer que a cantoria sertaneja urbana de sofrência é hoje, em sua imensa maioria, o lixo da música brasileira.

Podem me acusar de ser preconceituoso, sem problema. O fato de que boa parte desse pessoal tem vínculos fortes com o fascismo, e não só com o agro é pop, só amplia a repulsa pela pior ‘poesia’ que o chamado cancioneiro brasileiro já produziu.

É a música mais rasa, a mais previsível, a mais esquemática, a mais repetitiva. Cantores sertanejos estão hoje para essa música, que ofende suas raízes pretensamente rurais, como as réplicas da estátua da Liberdade da Havan estão para os espaços urbanos. São imitações grotescas do que pretendem imitar.

E agora ainda ficamos sabendo, por reportagem de Pedro Martins na Folha, que esse Zé Neto, que atacou Anitta e a Lei Rouanet, teve o show em que criticou a cantora patrocinado pela prefeitura de Sorriso, no Mato Grosso.

O jornalista Demétrio Vecchioli, citado por Martins, descobriu que Zé Neto recebeu R$ 400 mil para cantar e depois atacar Anitta. Pegou dinheiro público liberado pelo prefeito.

O sujeito sabe que a Lei Rouanet não mexe com dinheiro público. Os recursos da lei, liberados por empresas, são uma forma de concessão consagrada mundialmente que patrocina a arte em troca de abatimentos em tributos a serem pagos.

Ah, mas tem muita gente escutando, cantando e dançando esta arte pobre. Tem. Tem gente votando em Bolsonaro. Tem gente que acorda e dorme ouvindo essas músicas de Zé Neto e de assemelhados.

Vecchioli descobriu mais. Que Zé Neto já recebeu dinheiro público (este sim dinheiro do povo) de prefeituras de cidades de pequeno e médio porte do interior de Goiás, Minas Gerais e São Paulo. Os
cachês vão de R$ 180 mil a R$ 550 mil.

A reportagem de Martins mostra que os sertanejos, geralmente atuando em duplas, são os que mais recebem cachês pagos por prefeituras. A ‘arte’ bolsonarista é bancada por prefeitos bolsonaristas.

O jornalismo passa a dever, a partir dessas informações, uma imersão, para que os cidadãos das cidades patrocinadoras dos shows tenham acesso a esses contratos.

É de se perguntar se essa música bolsonarista não estaria movimentando, em pequenas e médias cidades, engrenagens poderosas com a dinheirama paga aos sertanejos.

A reportagem da Folha mostra outro detalhe importante. A Lei Rouanet, atacada pela extrema direita, hoje assegura no máximo a captação de R$ 3 mil para um artista solo. E a burocracia é enorme.
Já os sertanejos têm acesso direto a verbas liberadas pelos prefeitos. Sob que condições?

Os músicos ditos sertanejos, que de sertanejo não têm quase nada, são as vozes do bolsonarismo patrocinadas com dinheiro de todos nós.

Os sertanejos anti-Lei Rouanet são cínicos moralistas que mamam no dinheiro de prefeituras que muitas vezes dizem não ter recursos nem para a merenda escolar.

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O VÉIO E A FRESNO
Pode, Arnaldo? Um dia depois de ser exaltado quase como paladino da liberdade de expressão pelo TRE gaúcho, o véio da Havan foi personagem dessa nota na coluna de Ancelmo Gois. Saiu esta semana no Globo.

“O empresário Luciano Hang, dono da Havan, recorreu à Justiça de Santa Catarina contra o vocalista Lucas Silveira, da banda Fresno, por danos marais.

O motivo da ação é uma postagem feita por Lucas em 23 de março deste ano. Nela, o artista comenta uma notícia sobre o varejo brasileiro:

“O Luciano Hang, ‘aka’ ‘VÉIO FDP DA HAVAN’ é provavelmente o maior paunoku da história desse país”.

Segundo a defesa de Hang, a postagem e os termos usados “enxovalham a honra do empresário e causam danos morais indenizáveis, notadamente pelo exercício abusivo do direito à liberdade de expressão”.

Hang pede, veja só, indenização de R$ 100 mil por danos morais, além da retirada da postagem do ar”.

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O DIA DO SILÊNCIO
Esta senhora se chama Elena Zaffaroni e é uma das líderes das Mães e Familiares dos Desaparecidos durante a ditadura.

Amanhã, ela e milhares de pessoas voltam às ruas, para a Marcha do Silêncio de 20 de maio, depois de uma ausência de dois anos por causa da pandemia.

As marchas, com os familirares carregando retratos dos familiares assassinados pela ditadura e nunca mais encontrados, acontecerão em pelo menos 30 cidades.

No Uruguai.

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A VITÓRIA DO JORNALISMO
Compartilho abaixo link de texto publicado pelo site da ABI a respeito da vitória do DCM e do autor deste blog em processo movido pelo véio da Havan.

http://www.abi.org.br/dcm-e-moises-mendes-vencem-luciano-hang-na-justica/

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