Por que me ufano das nossas mulheres

Nosso colunista brada: “Vão ser bonitas e gostosas assim no quinto dos infernos”.

Brasileiras na célebre edição de biquinis da revista americana Sports Ilustrated
Brasileiras na célebre edição de biquinis da revista americana Sports Ilustrated

Eu as contemplo no Brasil, e fico maravilhado e me sinto um privilegiado; eu as comparo com exemplares de outras origens – principalmente porque atualmente moro no exterior – , e a diferença fica ainda mais evidente. Por isso eu gostaria de compartilhar o seguinte pensamento: acredito que um dos grandes trunfos da evolução – senão o maior! – ocorreu nesse pedaço de terra intitulado Brasil. Se Darwin estivesse vivo, tenho certeza que, de boca aberta, babando e esfregando os olhos com incredulidade, ele iria concordar comigo. Principalmente num dia quente de verão, bebendo uma cervejinha com os amigos, seja numa praia qualquer desse imenso litoral, seja no boteco da esquina jogando conversa fora e vendo a vida passar. Veja só, comparado aos milhares de anos de evolução do gênero humano, foi necessário apenas um pouco mais de 5 séculos de miscigenação para que surgisse o mais belo animal a caminhar sobre esse nosso querido planeta: a mulher brasileira.

Numa hora dessas talvez alguém interferisse em favor de poderes divinos, mas um incrédulo como eu acharia mais animado e mundanamente gostoso concluir que tudo foi fruto de muitas noites sob as estrelas: uma sacanagem aqui, um dengo ali, juras eternas, paixões passageiras, e entre camas, redes e esteiras, vida foi tomando seu rumo.

O início de tal “receita de mulher” se deu ali, no atual litoral sul da Bahia; era outono de 1500, bem na semana de Páscoa.

Imagino aquelas centenas de homens barbados, aventureiros, malcheirosos por semanas e semanas a bordo de seus navios, cruzando os mares e os destinos, saudosos das boas coisas deixadas em sua terra natal. Ao chegar, finalmente, à terra nova, eles avistam algo bem mais interessante do que a terra em si:

“Ali andavam entre eles três ou quatro moças, bem novinhas e gentis, com
cabelos muito pretos e compridos pelas costas; e suas vergonhas, tão altas e tão
cerradinhas e tão limpas das cabeleiras que, de as nós muito bem olharmos, não se
envergonhavam.

E uma daquelas moças era toda tingida de baixo a cima, daquela tintura e certo era tão bem feita e tão redonda, e sua vergonha tão graciosa que a muitas mulheres de nossa terra, vendo-lhe tais feições envergonhara, por não terem as suas como ela.” (1)

Eis aí, nativas dessa Terra de Vera Cruz desfilando despudoradamente nuas diante dos marinheiros de Cabral; e 5 séculos depois, a magia, o feitiço: a mulher brasileira. Eu me inspiro em Nelson Rodrigues e digo: vá ser bonita e gostosa assim no quinto dos infernos!!! Talvez nessa expressão de espanto e admiração haja uma certa correspondência com a vida real, já que o Brasil, por alguns pontos de vista, pode ser considerado mesmo um inferno dantesco. Mas voltando ao ponto inicial: não é espantoso que em apenas meio milênio – míseros 500 anos! – tenha surgido um animal de traços físicos e comportamento tão peculiares?

Não é à toa que meus queridos Tom Jobim e Vinicius de Moraes ficaram tão encantados com essa beleza. Eu tenho certeza de que aquela menina, aquela “coisa mais linda, mais cheia de graça” que eles cantaram tão soberba e deliciosamente, só poderia ter surgido nessas paragens.

Ah, a evolução, bendita seja a evolução nesse pedaço de terra chamado Brasil!!!

(1) Trechos d’A Carta de Pero Vaz de Caminha

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