O médico argentino que fez Dilma emagrecer 15 kg

Da folha:

Máximo Ravenna, 68, o argentino que virou guru de Dilma Rousseff e de boa parte dos ministros do governo dela, está no Brasil para visitar a sua rede de clínicas de emagrecimento. Sentado numa mesa, encara a plateia de 120 pacientes paulistas que, numa tarde ensolarada de quarta-feira, buscam, angustiadas, respostas do médico para conseguir emagrecer.

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As reuniões de obesos, em que as experiências do emagrecimento são compartilhadas, são “centrais” no tratamento, segundo Ravenna. “É único, único. É como os [encontros] de drogados ou de alcoólicos. Você já viu um alcoólatra ser curado por um psiquiatra? O psiquiatra vira alcoólatra e não cura ninguém”, afirma. “Num grupo ou numa comunidade terapêutica, sim, a pessoa vai ver que a outra pôde [emagrecer]. Se ela pode, eu posso.”

“Eu não trabalho com ninguém sem isso”, decreta. “Salvo se for um ‘hipervip’.”

Dilma é uma ‘hipervip’. Periodicamente, um médico, uma nutricionista e um preparador físico vão ao Palácio da Alvorada, em Brasília, monitorar a dieta da petista. A clínica oferece um kit de refeições. Mas, no caso dela, os cozinheiros da presidência foram treinados para fazer as mesmas receitas. Dilma segue o ritual do método à risca. Antes de cada refeição, toma um caldo bem quente, para forrar o estômago e diminuir o apetite. Depois, come pratos sem farinha e açúcar (com 40% de carboidrato, 30% de proteínas e 30% de gorduras), ingerindo no máximo 800 calorias por dia.

*Recentemente, o médico viajou de Buenos Aires, onde vive, a Brasília para jantar com ela no Palácio da Alvorada. Comeram salada, bacalhau diet (sem batata) e banana feita no micro-ondas. Conversaram por cinco horas.

“Disse a ela que não caísse em cantos de sereia, de que, por ser presidenta, teria que comer ou pesar um pouco mais. E disse que ela merecia pesar menos do que 70 kg, porque é uma mulher muito bonita. A mim me impactou o linda que é.”

Dilma revelou que, quando jovem, chegou a pesar 63 kg. “Ela gosta desse número. Eu falei: ‘Jogue-se. Você pode’. Não há motivo para associar idade com indefectível tendência de engordar. Temos que fazer mais ginástica e comer alimentos de qualidade.”

No dia do jantar, Dilma, em tratamento desde dezembro, já tinha emagrecido 8 kg. Agora, já baixou 15 kg. “Ela tem 1,68m. Pode tranquilamente chegar a 66 kg.” Pela estimativa do médico, a presidente está hoje com 69 kg.

“Sempre é melhor pesar menos que 70 kg. Porque dos 70 kg aos 80 kg é um suspiro. Já dos 69 kg aos 70 kg, é toda uma vida” afirma. “Eu sempre digo: mulheres normais pesam 50, 60 kg. As altas, 70 kg. As de 80 kg, 90 kg são enormes ou muito gordas”.

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Dilma foi apresentada ao método Ravenna pela ministra Eleonora Menicucci, da Secretaria de Mulher. “Quando viu sua gente baixar de peso, Dilma quis isso para ela”, diz ele. “Uma pessoa que consegue controlar a alimentação e mostrar um corpo cuidado transmite confiança às pessoas.” Entre os ministros que fazem dieta estão José Eduardo Cardozo (Justiça) e Kátia Abreu (Agricultura).

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Há 50 anos, diz o médico, “havia 10% de gordos no mundo. Hoje são 50%. Algo se passou no entorno desse gordo. A sociedade mudou. Hoje há o estresse crônico, o mal dormir, o imediatismo, a impulsividade. E uma quantidade enorme de comidas processadas. A frutose, que é tóxica, hiperdoce e viciante, invadiu todos os alimentos”.

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Ravenna, que diz pesar 73 kg e usar o mesmo tamanho de roupa há 25 anos, se define como “intenso”. “Em tudo. Muito.” Faz ginástica sete vezes por semana, “isométrica, isotônica, pilates, ginástica de força, circuitos rápidos, aeróbicos”. Anda de bicicleta. Joga tênis. Já mergulhou na Austrália e no Havaí e com a mulher, Maria Gilda, e as filhas.

Ravenna abriu a primeira clínica em Buenos Aires em 1993 (hoje tem nove, além de filiais no Paraguai e no Brasil), depois de trabalhar por quase duas décadas em um spa nos arredores da capital argentina. Em alguns anos, atraiu celebridades como a apresentadora de TV argentina Susana Giménez e Maradona. De “alguns”, não cobra nada. “Eu intuo quem vai se ofender. Não cobro de gente do espetáculo, por exemplo, nem de jornalistas.”

“A Dilma paga”,* apressa-se a dizer Moema Soares, sua sócia no Brasil. “Ela paga?”, surpreende-se o médico argentino. A clínica cobra mensalidade de R$ 2.150.