O ministro da Educação que fala em “convivência impossível” com deficientes e a lei nazista que eliminou parte deles

Presidente Jair Bolsonaro e o ministro da Educação, Milton Ribeiro, na sede do Bope no Rio de Janeiro. – Twitter de @mribeiroMEC

As intenções deles escapam pelos poros, como suor ou como um pus que sai involuntariamente, sem que possam controlar.

Foi o que aconteceu com o ministro da Educação, Milton Ribeiro, na quinta, em Recife.

“Nós temos hoje 1,3 milhão de crianças com deficiência que estudam nas escolas públicas. Desse total, 12% têm um grau de deficiência que é impossível a convivência”, afirmou.

Era uma tentativa de consertar uma declaração estúpida e reveladora. Segundo ele, estudantes com deficiência “atrapalhavam, entre aspas”, o aprendizado de outros da mesma sala de aula.

A escola segregada é um modelo ultrapassado, mas Ribeiro não acredita nisso. É negacionismo puro. Para o ex-reitor do Mackenzie, o problema é o “inclusivismo”.

Na verdade, convivência impossível é com gente como ele. O substrato do pensamento de Milton Ribeiro está na eugenia. É o mesmo mecanismo que levou Bolsonaro a defender que velhos devessem morrer na pandemia.  

O sonho é que os “indesejáveis” fossem eliminados dentro da lei.

A Constituição de 1934 trazia o artigo 138, que determinava que “estimular a educação eugênica” era dever da União, dos Estados e dos Municípios, assim como “cuidar da higiene mental e incentivar a luta contra os venenos sociais”.

Não era algo exclusivo nosso. Os nazistas, como sempre, levaram mais longe.

“A doentes incuráveis… [pode] ser concedida a morte por misericórdia”, escreveu Adolf Hitler em 1º de setembro de 1939, data do início da Segunda Guerra Mundial.

Uma lei para a prevenção de doenças hereditárias (“Erbgesundheitsgesetz”) havia sido criada em 14 de julho de 1933, poucos meses após a ascensão de Hitler ao poder.

Era uma maneira de “limpar” a Alemanha. Entre os alvos estavam portadores de esquizofrenia, cegueira, deformidades físicas, surdez, pessoas com retardo mental e dependentes de álcool.

Os médicos aplaudiram a medida, que lhes permitiria depurar a sociedade e retirar de circulação “elementos inferiores”. Houve esterilização em massa. Interpretações elásticas passaram a colocar no mesmo balaio prostitutas, bandidos, todos os seres “problemáticos”.

Um jurista e dois médicos decidiam a esterilização, praticada em todo o país em fraudes processuais sem direito à defesa. Oficialmente, até 1945, 400 mil pessoas foram submetidas a esse procedimento, sendo que seis mil morreram de sequelas.

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