O ministro do STF que será poupado do impeachment pelos senadores em 2027

Atualizado em 19 de outubro de 2026 às 21:40
Alexandre de Moraes Flávio Dino
Os ministros Alexandre de Moraes e Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF). Foto: Pedro Ladeira/Folhapress

Ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e parlamentares articulam preservar Flávio Dino de uma eventual ofensiva por impeachments a partir de 2027. Segundo a Folha de S.Paulo, políticos do centrão e da direita têm comunicado a interlocutores da Corte que Alexandre de Moraes é o alvo prioritário e que Dino não está na mira neste momento.

Dentro do Supremo, até ministros que divergem de Dino sinalizaram ao Congresso que discordâncias sobre votos e decisões não justificam o afastamento de um magistrado. O entendimento converge com a tentativa de estabelecer limites para impedir que processos de impeachment sejam usados como instrumento de pressão sobre o Judiciário.

O presidente do STF, Edson Fachin, indicou a auxiliares que pretende levar ao plenário, ainda neste ano, a liminar de Gilmar Mendes sobre o tema. A intenção é definir as regras antes da posse dos novos senadores, em 2027.

A decisão de Gilmar, proferida em dezembro de 2025, estabelece quórum de dois terços do Senado para abrir um processo contra ministro do Supremo e impede que a mera discordância sobre o mérito de decisões judiciais fundamente uma acusação de crime de responsabilidade. Esse segundo ponto é considerado uma proteção importante para Dino.

Bia Kicis
A deputada federal Bia Kicis (PL-DF). Foto: Kayo Magalhães/Câmara dos Deputados

A pressão política, entretanto, permanece. A senadora eleita Bia Kicis (PL-DF) afirmou que Moraes é o primeiro da lista e que outros ministros podem ser atingidos. “Se um for impichado, os outros vão se enquadrar”, declarou. Já o senador eleito Domingos Sávio (PL-MG) sustentou que divergir de opiniões ou votos não basta para justificar uma cassação.

Entre integrantes da direita, a cautela com Dino também tem uma razão eleitoral. Parte desses políticos teme que um impeachment fortaleça o ministro como liderança da esquerda e ofereça uma plataforma para seu retorno às disputas eleitorais. Antes de chegar ao Supremo, Dino foi deputado federal, governador do Maranhão, senador e ministro da Justiça do governo Lula.

Figuras do PL também avaliam que um processo contra Dino poderia ser interpretado como retaliação às decisões sobre transparência e fiscalização das emendas parlamentares. Para esse grupo, uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro permitiria disputar a orientação do tribunal por meio de novas indicações, em vez de tentar afastar Dino de imediato.

O ministro ainda pode enfrentar outra frente de pressão. O senador eleito Marcel Van Hattem (Novo-RS) pretende reunir assinaturas para uma CPI da Lava Toga. A escolha da próxima presidência do Senado, em fevereiro, também será decisiva, porque cabe ao ocupante do cargo dar ou não andamento aos pedidos de impeachment contra integrantes do STF.

Laura Jordão
Estudante de Sociologia e Política na Fundação Escola de Sociologia e Política; escrevo pelo Diário do Centro do Mundo!