O ministros do STF que sabotaram indicação de Messias, segundo o governo

Atualizado em 30 de abril de 2026 às 13:07
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Jorge Messias, da AGU, conversando ao pé do ouvido, sentados lado a lado
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Jorge Messias, da AGU. Foto: Reprodução

O Palácio do Planalto avalia que uma ala do Supremo Tribunal Federal (STF) atuou em conjunto com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), para barrar a indicação de Jorge Messias à Corte. O nome indicado pelo presidente Lula foi rejeitado por 42 votos a 34, ampliando a crise entre o Executivo e o Congresso.

Segundo o Estadão, a avaliação foi discutida em reunião realizada na noite de quarta (29), no Palácio da Alvorada, com a presença de ministros e lideranças do governo. No encontro, interlocutores atribuíram a derrota a articulações políticas que extrapolaram o ambiente do Senado.

Auxiliares do governo, sob reserva, apontaram que os ministros Alexandre de Moraes e Flávio Dino teriam atuado contra a indicação. Ambos negaram participação.

No diagnóstico do Planalto, a estratégia de Messias durante a sabatina também contribuiu para o resultado. O advogado-geral fez acenos a parlamentares ligados ao bolsonarismo e criticou o inquérito das fake news, conduzido por Moraes, o que gerou resistência dentro do tribunal.

Alexandre de Moraes, Ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), e Davi Alcolumbre. Foto: Brenno Carvalho/Agência O Globo

Durante a sabatina, Messias afirmou que “ninguém pode ser investigado a vida toda” e declarou que “processo penal não pode ser um ato de vingança”, acrescentando que “inquérito eterno é o arbítrio”. As falas ocorreram ao comentar a duração das investigações no STF.

Após essas declarações, Moraes defendeu publicamente a continuidade do inquérito ao divulgar balanço sobre os atos de 8 de janeiro. Segundo ele, a manutenção das investigações é necessária diante do funcionamento de grupos organizados contra a democracia.

No campo político, Lula indicou que não pretende apresentar um novo nome para o STF neste momento. O presidente também busca identificar parlamentares da base que votaram contra Messias, mesmo após negociações envolvendo cargos e liberação de emendas. A rejeição marcou a primeira vez desde o século XIX que um indicado ao STF foi barrado pelo Senado.

Caique Lima
Caique Lima, 27. Jornalista do DCM desde 2019 e amante de futebol.