O mundo cão do poder em Santa Catarina. Por Moisés Mendes

Atualizado em 6 de fevereiro de 2026 às 6:52
O cão Orelha. Foto: Reprodução

Uma fonte que respeito, porque atuou por muitos anos como operador do Direito em Santa Catarina, me envia esta previsão sombria.

O caso do cão Orelha pode até avançar na polícia, com um inquérito bem amarrado. E pode haver uma denúncia forte e consistente do Ministério Público.

Mas não se surpreendam se o caso empacar ou for embaralhado na Justiça de primeira instância e depois cair numa gaveta escura da Justiça de segunda instância, como costuma acontecer com processos envolvendo poderosos em Santa Catarina.

Perguntei se isso seria possível, mesmo com a repercussão que o caso teve em todo o país, e ouvi o seguinte: eles exercem o poder contra as pessoas, imagine se não exercerão contra um cachorro.

Como já aconteceu em outras circunstâncias, é possível até que juízes de segunda instância que julgarão o caso venham a participar ou já tenham participado de banquete com parentes dos réus do caso. Tudo é possível.

Mas sempre há um no entanto. E, neste caso, o no entanto é o seguinte: os envolvidos na tortura e morte de Orelha podem ir para o sacrifício, para que outros casos continuem sendo tratados como sempre foram.

Assim funciona o mundo cão do poder em Santa Catarina.

GAVETA

E aqui mais um exemplo de que os poderosos têm a proteção dos seus onde quer que estejam. Dos 21 ministros do STJ que votaram sobre a sindicância interna para apurar se o ministro Marco Buzzi assediou uma jovem de 18 anos na praia de Balneário Camboriú, oito votaram contra a abertura do inquérito.

E um deles foi o próprio Buzzi. Mais de um terço do plenário do STJ tentou impedir a sindicância.

Moisés Mendes
Moisés Mendes é jornalista em Porto Alegre, autor de “Todos querem ser Mujica” (Editora Diadorim) - https://www.blogdomoisesmendes.com.br/