O neto negro de ACM e sua vice que foi negra por alguns dias. Por Moisés Mendes

Atualizado em 21 de setembro de 2022 às 22:58
ACM Neto (União Brasil) e sua vice Ana Coelho (Republicanos). Foto: Reprodução

Por Moisés Mendes

O debate sobre a autodeclaração de ACM Neto como pardo tem um detalhe interessante, porque parece uma decisão tardia.

O movimento negro da Bahia acha que ACM está cometendo uma farsa, no registro no TSE, porque não é pardo, mas pretende assim se apresentar como negro.

Vejam o que diz Jorge X, deputado federal do PSOL da Bahia e autor da Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE):

“Se nós concebemos que ACM Neto é classificado como pardo e, por conseguinte, negro, estamos dizendo para toda a população mundial ou do Brasil que não existe racismo na Bahia”.

O detalhe interessante é esse. A defesa de ACM, candidato ao governo do Estado, diz que ele se declara pardo desde a eleição de 2016.

O neto de ACM tem 43 anos, ou seja, quando estava com 37 decidiu que partir dali seria pardo. Antes, era branco.

O avô dele se definia como mulato, que há muito tempo é uma expressão considerada pejorativa. O mulato do século passado equivaleria hoje ao pardo do neto do coronel.

Ana Coelho, a vice de ACM Neto (na foto ao alto com ele), também havia se declarado parda na inscrição da candidatura. Mas recuou e admitiu que é branca.

Foi negra por alguns dias, porque, para boa parte dos cientistas e militantes negros, não há mais distinção entre pardo e negro. E Ana é bem branquinha.

Publicado originalmente no blog do autor

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