O nome do tsunami é Jair Bolsonaro. Para detê-lo, só povo nas ruas. Dia 15 está chegando. Por Ricardo Kotscho

Estudantes do Instituto Federal Sul de Minas, campus Passos, foram às ruas na última semana em defesa do ensino público.
Foto: Danylo Garcia/Mídia Ninja

Publicado originalmente no Balaio do Kotscho

POR RICARDO KOTSCHO

Jair Bolsonaro, presidente da República, em discurso na sexta-feira, em Brasília, ao anunciar o apocalipse:

“Talvez tenhamos um tsunami na semana que vem, mas a gente vence o obstáculo com toda a certeza”.

Nunca vi presidente anunciar desgraças em lugar de projetos, mas o capitão olavista chegou atrasado, mais uma vez.

O tsunami que está destruindo o país, na verdade, já chegou, tem mais de quatro meses, e o nome dele é Bolsonaro.

Começou no dia da posse e foi destruindo, uma a uma, as instituições nacionais, o Estado de Direito, as conquistas sociais e os direitos dos trabalhadores.

A que obstáculo se refere o presidente? O olho do furacão está no Palácio do Planalto.

O obstáculo só pode ser o povo brasileiro, que acordou e começa a se mobilizar para deter este tsunami.

Já tem até dia marcado: 15 de maio, quarta-feira próxima.

Os sindicatos nacionais de professores e funcionários das universidades federais e a União Nacional dos Estudantes se mobilizaram para promover o Dia Nacional de Luta em Defesa da Educação, com protestos em todo o país.

Todos os partidos de oposição também se uniram e manifestaram apoio às mobilizações de professores e estudantes, que já saíram às ruas esta semana em várias capitais.

“O dia 15 vai ser histórico, o início de uma movimentação massiva”, anuncia Marianna Dias, presidente da UNE.

Em São Paulo, já tem até hora marcada: às 14 horas, no vão do Masp, na avenida Paulista.

“Na próxima semana, vamos estar em diálogo com a população. Faremos panfletagem e mostra do conhecimento do que a gente produz aqui dentro. É o momento de a sociedade ter ciência da produção que temos e da importância dela”, disse à Folha Anna Carolina de Paiva Leal, coordenadora do Diretório Central dos Estudantes da Universidade Federal de Minas Gerais.

Este movimento em defesa do que resta da Educação brasileira, após o corte de 30% das verbas das universidades, não interessa só ao meio acadêmico, mas deve ser uma luta de toda a sociedade, em defesa do nosso futuro como nação, que está ameaçado pelo bolsonarismo em marcha.

Não dá mais para ficar só na internet enfrentando a guerrilha virtual da tropa de choque comandada pelos Bolsonaros, sob a alta orientação de um cartomante que se diz filósofo e vive escondido nos Estados Unidos, onde é caçador de ursos.

Como cachorros loucos, depois de não encontrar nas escolas o kit gay com mamadeiras de piroca, resolveram atacar professores e alunos para acabar com o ensino público.

Ex-jornalistas da velha mídia ajudam a propagar nas redes sociais fakenews mostrando badernas e jovens pelados, não se sabe quando nem onde, para justificar os desatinos do governo do capitão e do seu ministro da Educação, um semianalfabeto de extrema direita que não sabe fazer contas.

Outros, mais espertos, estão levando uma grana do governo para defender em seus programas a destruição da Previdência Social.

É a degradação completa de um desgoverno delirante, tão letal como um tsunami japonês.

Chegou a hora de dar um basta a toda essa insanidade. Ninguém mais tem o direito de ficar indiferente ao que está acontecendo. Isentões serão cúmplices da desgraça.

Quero ver se na quarta-feira as televisões irão começar a transmitir ao vivo, desde cedo, os preparativos das manifestações para o dia Dia Nacional de Luta, convocando a população a sair às ruas, como fizeram em 2013, para derrubar o governo do PT.

A situação do país hoje é incomparavelmente mais grave do que naquela época, em que se começou protestando contra o aumento de 20 centavos nas tarifas de ônibus, quando se vivia um período de pleno emprego, com otimismo na economia.

De lá para cá, golpe após golpe, tudo foi sendo destruído, as empresas, os empregos e a esperança, nas ondas da Lava Jato do carrasco de Curitiba, que virou um gatinho angorá dos Bolsonaro em Brasília.

E ainda tem gente, acreditem, querendo culpar o PT pelo tsunami Bolsonaro.

Um feliz Dia das Mães para todos os que ainda andam desarmados e não perderam a esperança.

Apesar de tudo, felizmente ainda temos um povo e uma juventude aguerrida neste país chamado Brasil.

Vida que segue.

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