
O ex-presidente da Câmara João Paulo Cunha (PT) é apontado como uma opção para comandar o Ministério das Relações Institucionais, responsável pela ponte entre o governo Lula e o Congresso, segundo o Metrópoles. O petista reúne experiência parlamentar e é visto como um negociador capaz de lidar com um Legislativo hostil ao Planalto.
Deputado federal por quatro mandatos, entre 1995 e 2011, Cunha presidiu a Câmara de 2003 a 2005, no primeiro governo Lula. Sua passagem pelo comando da Casa ocorreu em um período de intensa articulação entre o Executivo e os parlamentares.
Antes de chegar a Brasília, ele foi vereador em Osasco, na Grande São Paulo, e construiu sua trajetória no movimento sindical e no PT. Cunha integra a cúpula histórica do partido e mantém conhecimento acumulado sobre a dinâmica da Câmara e das negociações partidárias.
O nome surge após uma sequência de dificuldades do governo no ministério encarregado da articulação. No atual mandato, Lula já promoveu três mudanças no comando da pasta, por onde passaram Alexandre Padilha e Gleisi Hoffmann, ambos do PT.

Governo enfrenta base condicionada no Congresso
O atual ministro das Relações Institucionais é o deputado federal José Guimarães (PT). Ele não conseguiu evitar a rejeição, pelo Congresso, do nome de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal, considerada a pior derrota do governo Lula até agora.
Padilha também enfrentou resistência de líderes do centrão, alguns dos quais chegaram a romper com o então ministro. As trocas na pasta expõem as dificuldades do Planalto para formar maiorias estáveis em votações de interesse do governo.
Projeção do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap) indica que Lula pode contar com uma base de 124 a 370 deputados. Desse total, 124 seriam apoios consistentes, enquanto 246 parlamentares ficariam no grupo classificado como apoio condicionado; a oposição reuniria 143 deputados.
Na prática, a maior parte da eventual maioria depende de negociação a cada votação, com disputa por emendas, cargos e acordos políticos. No Senado, a projeção aponta de 16 a 47 apoios ao governo, sendo 16 consistentes e 31 condicionados, diante de 34 senadores na oposição.