O ouro do vôlei não seria o mesmo sem a voz do anti Galvão da ESPN. Por Kiko Nogueira

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Este artigo foi atualizado.

 

Antes de virar uma caricatura de si mesmo e uma mala sem alça ridicularizada por colegas estrangeiros, Galvão Bueno foi um grande locutor — nem tanto de futebol, mas de Fórmula 1.

É impossível dissociar a carreira de Ayrton Senna da voz de Galvão. As vitórias de Senna, a música tema e a narração de Galvão formam uma célula da memória coletiva do esporte nacional.

GB esteve para a corrida como Rômulo Mendonça, da ESPN, está hoje para o voleibol. Mendonça virou uma sensação na Olimpíada graças a seus bordões e seu carisma.

“Aqui não, queridinha”, “Lacradora”, “Lambisgoia”, “Nossa casa, nossas regras, nosso puxadinho” — essas expressões foram repetidas pela torcida e viraram memes na internet. “Não é ódio, é ufanismo”, ele dizia quando secava o adversário. Fulano era o “mensageiro do caos”.

Usa referências do cinema, da TV e da música. Apela para o ragatanga. Na partida entre Rússia e França, após um lance de Irina Fetisova, chutou: “Uma deusa, uma louca, uma Fetisova”.

Mendonça
Mendonça

 

Não transforma tudo em chanchada. Erra pouco. Mendonça não é um novato completo. Nascido em Divinópolis, interior de Minas Gerais, em 2011 fez um teste na ESPN e emplacou. Suas transmissões de modalidades americanas já tinham seus fãs. A Olimpíada o tornou conhecido numa escala muito maior.

Seu ídolo é o genial Osmar Santos. Mendonça se destaca num meio que ficou completamente padronizado e anódino. As mesas redondas, com exceção da de Trajano e Juca Kfouri, são formadas por genéricos de PVC. Dá uma certa saudade da pilantragem de Roberto Avallone e Chico Lang.

Há pouca renovação. Cléber Machado é uma espécie de Príncipe Charles do futebol, que já perdeu a esperança do ocupante do trono vazar nesta encarnação e fica lá enganando. Milton Leite — que vive de pijama no coração dos brasileiros depois de chamar Rogério Ceni de “chato” no ar — tem 58 anos.

Desde a aposentadoria de Sílvio Luiz não surgia alguém tão divertido. A ouro da seleção de Bernardinho não seria o mesmo sem Rômulo Mendonça.

 

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