O pagamento de R$ 109 milhões do Banco Master a advogado preso

Atualizado em 23 de abril de 2026 às 7:02
Daniel Monteiro, advogado do Banco Master. Foto: reprodução

O Banco Master declarou à Receita Federal R$ 109 milhões em pagamentos a empresas que têm como sócio o advogado Daniel Monteiro, apontado nas investigações como homem de confiança do banqueiro Daniel Vorcaro. O montante foi pago entre 2022 e 2025 e agora está no centro das apurações sobre um suposto esquema de desvio de recursos, uso de empresas intermediárias e pagamento de propinas a autoridades.

Daniel Monteiro foi preso sob suspeita de administrar fundos usados para desviar dinheiro do Banco Master e viabilizar repasses ilícitos. Segundo a investigação, o advogado atuava na criação de estruturas empresariais para dificultar o rastreamento dos valores e maquiar as transações financeiras.

Segundo informações do Globo, parte dos recursos, de acordo com dados da Receita, foi direcionada ao escritório de advocacia do qual ele era sócio e também a uma empresa de consultoria ligada a ele.

A defesa de Monteiro rebate a acusação e afirma que “repudia veementemente” a tese dos investigadores de que ele seria um “operador financeiro” e “muito menos com a finalidade de desviar recursos do Banco para o qual seu prestava serviços jurídicos e de consultoria”.

Em outra manifestação, sustenta: “Todas as notas fiscais emitidas, tanto pelo escritório full service do qual Daniel Monteiro foi sócio quanto pela empresa de consultoria Mytra referem-se a serviços lícitos e efetivamente prestados e foram regularmente declarados”. Já a defesa de Daniel Vorcaro não se manifestou.

Fachada do Banco Master. Foto: reprodução

Os registros apontam que a banca Monteiro, Rusu, Cameirão e Bercht recebeu R$ 79 milhões no período. Entre os escritórios de advocacia, o valor só é inferior ao declarado pelo Banco Master ao escritório da advogada Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro do STF Alexandre de Moraes, que recebeu R$ 80,2 milhões em 2024 e 2025. Além disso, a Mytra Consultoria arrecadou R$ 30 milhões do banco, sendo R$ 7 milhões na declaração de 2024 e R$ 22 milhões na de 2025.

A Polícia Federal afirma que empresas de prateleira foram usadas para receber recursos de fundos ligados à Reag e efetuar pagamentos relacionados a seis imóveis prometidos por Vorcaro ao ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa.

Na decisão que autorizou a nova fase da Operação Compliance Zero, o ministro André Mendonça escreveu: “Tais pessoas jurídicas, originalmente constituídas por conhecidos fornecedores de sociedades de prateleira, tiveram razão social, objeto, sede, diretor e capital social alterados em curto espaço de tempo, passando a funcionar como veículos específicos para recepção de recursos oriundos de fundos conectados à REAG e posterior aquisição dos imóveis”.

Para Mendonça, o “arranjo” revela o “domínio prático” de Monteiro sobre “mecanismos de ocultação”.

Augusto de Sousa
Augusto de Sousa, 31 anos. É formado em jornalismo e atua como repórter do DCM desde de 2023. Andreense, apaixonado por futebol, frequentador assíduo de estádios e tem sempre um trocadilho de qualidade duvidosa na ponta da língua.