O Parque Augusta tem de ser aprovado

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A disputa pelos 25 mil metros quadrados daquilo que se pretende seja o Parque Augusta entra em momento decisivo.

Nesta quarta-feira, cerca de 150 ativistas favoráveis à criação do parque promoveram um pic-nic em frente a prefeitura para pressionar Fernando Haddad a sancionar o texto. O prefeito tem um prazo de dez dias que se encerra na próxima terça-feira, véspera de natal.

“Ele pode sancionar ou, pelo menos, não vetar. O prazo é de dez dias para sancionar ou vetar, mas em 15 dias a lei não vetada é sancionada”, esclarece Daniel Biral, advogado que presta apoio jurídico na batalha. Ou seja, o prefeito não tem como empurrar com a barriga. O projeto de lei que prevê a criação do Parque Municipal Augusta já foi aprovado pela Câmara Municipal de São Paulo.

A área hoje é de propriedade da Setin e da Cyrela, que têm um plano de construir duas torres de aproximadamente 26 andares cada, com apartamentos de alto padrão, numa área já adensada populacionalmente e carente de verde.

É bem verdade que mesmo com a construção das torres, nem toda área poderia ser desmatada pois trata-se de área de preservação permanente (ali há várias espécies remanescentes da mata atlântica, como jacarandás). A Setin Incorporadora chegou a comprometer-se com a criação de um parque aberto ao público, mantido com verba privada.

“Uma parte já é reserva ambiental mas continuaria propriedade privada. Eles podem fechar a hora que bem entenderem. Todo empreendedor que veio aqui apareceu com essa proposta de que iria manter a área, mas isso é chover no molhado, já é obrigado a isso, não está fazendo favor nenhum. Nós estamos falando do centro da cidade de São Paulo, é a última área verde de solo permeável. Queremos a área toda”, diz Sérgio Carrera, ativista que vem batalhando pelo parque há anos e obtendo vitórias em embargos contra compradores e projetos anteriores ao atual. Já surgiram ideias para shoppings, supermercados e hotéis nos últimos dez anos.

Sancionando ou não, a questão se transformou num parque de cactos espinhosos. Caso aprove a criação do parque, o prefeito deverá resolver o problema das empresas que investiram 90 milhões ali, segundo estimativas do mercado. Logo ele que tanto tem alertado para a situação financeira do município desde o revés sofrido na revogação da tarifa do ônibus em junho e que também vem amargando sucessivas derrotas na tentativa de reajustar o IPTU. A própria Secretaria do Verde e Meio Ambiente desaconselhou a desapropriação por não haver dinheiro.

A outra opção, a de rejeitar o parque, significaria a Fernando Haddad acumular um prejuízo político imenso devido à simpatia que a causa ganhou. A campanha “Parque Augusta já” espalhou-se entre os chamados formadores de opinião, com escritores, artistas, músicos e diversos movimentos sociais. O grupo de ativistas em trajes de banho comemorou com apitos e batucada ainda no viaduto do Chá um post publicado na rede social de Nabil Bonduki (PT) em que escreveu: “O prefeito reafirmou que irá sancionar o projeto, por ser favorável mesmo com as restrições orçamentárias, no entanto, afirmou que deverão ser encontradas formas de mobilizar recursos para a sua implementação.”

“Quando se alega não ter dinheiro para desapropriar e criar um parque para a população, é uma falta de visão política do gestor. A economia que se faz na área da saúde em decorrência da poluição e com os problemas de enchentes, já compensa”, prossegue Carrera.

Qualquer centímetro quadrado de verde que haja na cidade deve ser defendido com unhas e dentes e o Parque Augusta deve ser um símbolo não só de persistência, mas de uma cidade mais “respirável”, que tenha preocupação com a convivência e sustentabilidade. Em tempos de praça Taksim, a união e a força popular salvarem essa área torna o processo todo ainda mais interessante.

 

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