O paulistano não decepciona nunca

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As milhares ou, de acordo com a sempre confiável Polícia Militar de São Paulo, milhões de pessoas que marcharam pela principal avenida da capital na tarde de hoje estão de parabéns. Caminhar faz muito bem.

Obcecados pela boa forma, trouxeram pesos para a caminhada. É até difícil calcular o quanto carregavam se levarmos em conta o que se esconde por trás de cartazes com frases que clamam pela volta de uma ditadura militar. Estas frases pesam como o chumbo. Carregá-las, sem dúvida, é exercício mais extenuante que o crossfit da academia mais estrelada dos Jardins. Povo obcecado por boa forma, sempre carregando seus pesinhos.

O importante é que os protestos desta tarde trouxeram lágrimas aos meus olhos. Nelson Rodrigues escreveu que não há multidão intranscendente, ou talvez não tenha escrito exatamente assim. Cito muito mal. A multidão emociona, o hino nacional faz a voz ficar rouca. Lembrei até do panelaço de semana passada. Tanto que fui à cozinha e acariciei as minhas panelas. Peço perdão pela emotividade.

Bom, adiantando a prosa: fiquei com os olhos marejados porque muitos paulistanos cumpriram bravamente, mais uma vez, o papel de desbravadores. A adesão à manifestação contra a presidente, de muito longe a maior em todo o país, foi digna de grandes momentos da nação.

Veja bem. O paulistano está lutando por um direito que lhe é inalienável: o de ter na presidência o candidato que ganhou a eleição. Quem venceu o pleito em São Paulo foi o senador Aécio Neves, com 63% dos votos. A lógica é transparente. Quem diz que parte dos manifestantes era formada por golpistas propondo um terceiro turno na eleição de 2014 é dono de um alvar desconhecimento dos fatos. Aqui deu Aécio, meu caro. Não é impeachment, é justiça.

São Paulo não pode parar. São Paulo é moda. É dinheiro trocando de mão, sem oportunismo e promovendo a tolerância. A camisa do genial Sérgio K com a frase “A culpa não é minha, votei no Aécio” custa 130 reais – mas não é cara se é para arrancar o Brasil do fundo do poço.

O uniforme oficial da seleção brasileira personalizado sai por 350 reais? Não existe preço se é para acabar com a corrupção no Brasil. Melhor ainda tendo o privilégio de usar, do lado esquerdo do peito, o escudo da CBF. Para combater desvirtuamento de instituições, veja só.

Estou muito orgulhoso de ter escolhido esta terra para morar. Parafraseando Pero Vaz de Caminha, esta é a terra em se plantando, tudo dá – isso quando tem água na torneira para irrigar a terra, claro.