O PCdoB e Rodrigo Maia: o que se é esperado e o que se é decepção. Por Carlos Fernandes

Rodrigo Maia. Foto: Lula Marques/Agência PT/Fotos Públicas

Não poderia ter sido pior a estreia do alardeado bloco de oposição ao governo Bolsonaro formado por PDT, PCdoB e PSB.

Partidos políticos diferentes sob muitos aspectos, sua união se deu em torno daquilo que ora mais os assemelha: a necessidade premente de continuarem a ter relevância no cenário político nacional.

Formado para se apresentar como uma espécie de contraponto à hegemonia do Partido dos Trabalhadores que contra tudo e contra todos se mantem sólida no campo da esquerda, o bloco potencializou o poder de fogo que, isoladamente, seria exíguo.

Individualmente PSB, PDT e PCdoB elegeram 32, 28 e 9 deputados federais, respectivamente. Sozinhos não teriam qualquer força. Juntos, porém, ultrapassam o PT que conseguiu eleger a maior bancada da Câmara Federal com 56 deputados.

Seria um movimento importante no combate às inúmeras investidas contra a democracia e a soberania nacional se no “Dia D” não entrasse em cena o que alguns chamam de a Realpolitik.

Já no seu primeiro grande teste no combate ao retrocesso que representa o governo Bolsonaro, o retrato ainda não acabado da batalha inaugural do bloco desbota tanto pela monotonia do que já se é esperado, quanto pelo assombro que a decepção sempre nos impõe.

Por tudo o que se viu nessa campanha, admira-se com o apoio do PDT de Carlos Lupi e Ciro Gomes à candidatura de Rodrigo Maia à presidência da casa, apenas aqueles que ainda acreditam que a terra é plana.

Que o que se transformou o PDT de Brizola venha a essa altura do campeonato somar forças com o PSL de Bolsonaro para a reeleição do “Botafogo” da Odebrecht, é algo que a lógica melancolicamente já anunciava.

Mas que o sempre combativo PCdoB tenha decidido unir-se à essa farsa travestida de busca de espaço nas mesas diretoras, é seguramente a primeira grande decepção do ano.

Por mais que se esforcem na ginástica argumentativa para defender a inusitada “aliança” com o partido a que se propuseram fazer oposição, definitivamente não existem justificativas para tamanha afronta às suas bases e à sua história.

Entre o PDT que a cada dia se desnuda mais e o PCdoB que se permite diminuir por medo de desaparecer, o bloco só ainda não afundou completamente no mar revolto do descrédito em função da resistência à essa ideia imposta pelo seu terceiro elemento, o PSB.

Narrada a novela, não há em absoluto o que se falar sobre o PDT. Dado o que se tornou, faz o que faz porque é assim que é.

O PCdoB, no entanto, possui um patrimônio de lutas gigantesco a defender. Decisões como essa lamentavelmente o nivelam a um patamar rasteiro que não o merece justamente por tudo o que já fizeram por esse país.

Ainda que esses vacilos não sejam suficientes para explicar a terrível realidade de sequer terem atingido a cláusula de barreira, seria prudente que certos lumiares de sua, como direi, “burocracia” – que tantas respostas possuem para os problemas dos outros partidos – passassem a se debruçar mais sobre seus próprios dilemas.

Seria o caso, talvez, de uma séria e profunda autocrítica, se, obviamente, autocrítica não fosse uma necessidade única e exclusiva do PT.

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