O pedido de desculpas de Neymar não engana nem a ele mesmo. Por Davi Nogueira

O texto incompetente da propaganda da Gillette não convenceu ninguém.

Neymar pediu desculpas pelo seu desempenho na Copa em um comercial da Gillette, transmitido no intervalo do “Fantástico” no último domingo.

Duas semanas depois do fim do torneio a patrocinadora ainda tenta, a qualquer custo, melhorar a imagem do jogador.

Mas só consegue piorá-la.

Em vez de se desculpar de maneira espontânea, o craque é pago para fazê-lo. Se aproveita de uma situação que gerou revolta para ganhar dinheiro.

O seu desabafo poderia ser feito numa entrevista, mas ele prefere se manifestar através de um anúncio que pretende vender lâminas de barbear, pensando que isto possa levantar sua moral.

Mas como levantar sua moral se o próprio texto, escrito por uma agência, ainda insiste em infantilizá-lo?

“Ainda sou um menino, e ele irrita às vezes, mas minha luta é para manter esse menino vivo”.

Neymar, com seus 26 anos, realmente age como um menino ao precisar que alguém passe pano para ele.

Por causa de sua arrogância, ele só é capaz de fazer essa autocrítica quando lhe fornecem um roteiro (e uma bufunfa). Se esconde dos julgamentos através dessa imagem de garoto.

“Não é porque sou um moleque mimado, é porque não aprendi a me frustar”.

E desde quando não saber se frustar é coisa de gente grande?

Ele ainda tem a cara-de-pau de falar como sofre. “Você não imagina o que eu passo fora dele [do campo]”, relata.

Como se a sua vida social fosse conturbadíssima.

Esse anúncio foi um tiro no pé para Neymar.

O fato de ele fazer um pedido de desculpas pago dá uma medida do quanto ele está fora da realidade — e do quanto precisa de ajuda especializada, algo que só vai admitir quando for tarde demais.