
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem defendido que Fernando Haddad dispute o governo de São Paulo. O motivo é objetivo: o estado reúne cerca de 22% do eleitorado brasileiro. Em eleições presidenciais decididas por margens estreitas, o desempenho em território paulista pode alterar o resultado nacional.
O histórico do PT na disputa pelo Palácio dos Bandeirantes ajuda a entender o cenário. Desde a redemocratização, o partido nunca venceu a eleição para governador em São Paulo. Em 1990, Luiz Inácio Lula da Silva concorreu ao governo estadual e foi derrotado por Luiz Antônio Fleury Filho. Em 1994, José Dirceu foi o candidato e perdeu para Mário Covas.
Em 1998, Marta Suplicy disputou o cargo e também foi derrotada por Mário Covas. Em 2002, José Genoíno chegou ao segundo turno, mas perdeu para Geraldo Alckmin. Em 2006, Aloizio Mercadante concorreu e foi derrotado por José Serra.
Em 2010 e 2014, Mercadante voltou a disputar o governo paulista e, nas duas ocasiões, perdeu ainda no primeiro turno para Geraldo Alckmin. Em 2018, Luiz Marinho foi o candidato do PT e ficou fora do segundo turno, que terminou com a vitória de João Doria sobre Márcio França. Em 2022, Fernando Haddad avançou ao segundo turno e obteve 44,73% dos votos válidos, mas foi derrotado por Tarcísio de Freitas.

O quadro revela um padrão: o PT mantém presença relevante, mas enfrenta dificuldades históricas para conquistar maioria no estado, sobretudo fora da capital e da Região Metropolitana. Ainda assim, o desempenho de Haddad em 2022 foi o melhor da legenda em décadas na disputa estadual.
A defesa de uma nova candidatura parte de um dado concreto. São Paulo tem peso decisivo na eleição presidencial. Em 2022, Lula venceu por margem apertada no país e ficou atrás de Bolsonaro no estado, embora tenha ampliado sua votação em relação a 2018. Em um cenário novamente polarizado, reduzir a diferença em São Paulo ou vencer no estado pode significar a diferença entre vitória e derrota no plano nacional.