O pessimismo do governo por um recuo de Trump sobre PCC e CV

Atualizado em 4 de junho de 2026 às 19:39
PCC Comando Vermelho
O presidente Lula, se encontrou nessa quinta-feira (7) com o presidente estadunidense Donald Trump, na Casa Branca. Foto: Ricardo Stuckert/PR

O governo brasileiro não vê chance de recuo no curto prazo dos Estados Unidos sobre a classificação do PCC e do CV como organizações terroristas. A medida anunciada pelo governo Donald Trump passa a valer nesta sexta-feira (5).

Segundo o UOL, a avaliação da diplomacia brasileira é que Washington não deu sinais de que pretende reavaliar a decisão, apesar dos protestos do governo Lula. A leitura em Brasília é que a medida foi preparada ao longo de meses, com troca de documentos entre órgãos estadunidenses.

A classificação segue o modelo usado pelos Estados Unidos contra cartéis latino-americanos, como o Cartel de Jalisco, no México, e o Tren de Aragua, da Venezuela. O enquadramento pode abrir caminho para sanções econômicas a países, empresas e instituições financeiras apontadas por Washington como ligadas direta ou indiretamente a grupos classificados como terroristas.

O governo brasileiro é contra a medida. A cúpula lulista afirma que a decisão interfere na soberania nacional e pode atrapalhar a cooperação policial já existente entre Brasil e Estados Unidos no combate ao crime organizado internacional.

PCC CV
Distribuição do PCC (azul) e do CV (vermelho) no território brasileiro em 2025. Foto: Divulgação/Fórum Nacional de Segurança Pública

O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, classificou a decisão como um “equívoco técnico”. Ele afirmou que o Brasil pode enfrentar dificuldades caso haja mudança na cooperação mantida há décadas com autoridades estadunidenses para o combate contra o PCC e o CV.

A classificação também preocupa a área econômica. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, alertou que bancos brasileiros poderiam ser alvo de sanções caso autoridades dos Estados Unidos aleguem vínculo entre contas bancárias e integrantes de facções. Segundo ele, esse tipo de interpretação poderia afetar inclusive o funcionamento do Pix.

Durigan citou como exemplo a atuação do Departamento de Justiça dos Estados Unidos no México, onde bancos foram fechados após designações envolvendo organizações classificadas como terroristas. Para o governo brasileiro, o risco é que a medida produza efeitos financeiros mesmo sem comprovação pública de relação direta entre instituições e grupos criminosos.

A decisão ocorre em meio à estratégia de Trump para ampliar a influência estadunidense na América Latina sob o argumento do combate ao crime organizado transnacional. No Brasil, o tema também virou disputa política após Flávio Bolsonaro comemorar a classificação e o governo Lula apontar risco de ingerência externa.

Laura Jordão
Estudante de Sociologia e Política na Fundação Escola de Sociologia e Política; escrevo pelo Diário do Centro do Mundo!