O pior lugar do mundo para ser mulher

As afegãs saem às ruas

 

O pior lugar para ser mulher é o Afeganistão, segundo vários levantamentos de respeitados institutos de pesquisas internacionais.

Para começo de conversa, se você é mulher e nasce lá sua expectativa de vida vai pouco além dos 40 anos. Nos países avançados, é o dobro. No Brasil, cerca de 75 anos.

As afegãs estão sitiadas.

De um lado, uma guerra em que soldados liderados pelos Estados Unidos – sempre eles — enfrentam rebeldes locais. De outro, uma sociedade fundamentalmente patriarcal em que os direitos das mulheres se resumem, basicamente, a servir os homens.

Dias atrás, o mundo se chocou com a imagem (postada num Vídeo do Dia do DCM) de uma jovem de 22 anos executada publicamente supostamente por crime sexual. O assassinato foi atribuído ao Talibã, o grupo extremista islâmico que abomina os valores ocidentais e prega uma vida estrita em obediência ao Corão, o livro sagrado dos muçulmanos. O Talibã nega.

Como isso vai mudar?

Claro: quando as próprias mulheres afegãs se insurgirem. É o que parece estar acontecendo.

Ontem, mulheres afegãs saíram às ruas de Cabul para protestar contra a execução da alegada adúltera. Pediram punição aos assassinos, e mais direitos para elas todas, como grupo.

É só assim que as coisas mudam. Quando os oprimidos – negros, pobres, mulheres etc – se movimentam. Ninguém faz o serviço por eles. Nenhum branco foi importante na conquista de direitos dos negros nos Estados Unidos, por exemplo. Nenhum homem foi vital para que as mulheres inglesas conquistassem o direito ao voto, há cerca de 100 anos.

Daqui de Londres, clap, clap, clap para as afegãs.