O plano de Flávio Bolsonaro para crescer no Nordeste

Atualizado em 20 de março de 2026 às 13:56
O presidente Lula e o senador Flávio Bolsonaro, prováveis adversários no 2º turno das eleições. Foto: Divulgação

A pré-campanha do senador Flávio Bolsonaro tem se concentrado em estratégias regionais para alcançar sucesso nas eleições presidenciais de 2026. Segundo sua equipe, a vitória depende diretamente de reduzir a votação do presidente Lula no Nordeste, além de intensificar o apoio no Sudeste.

A análise feita pelos estrategistas dele aponta que não há muito espaço para mudanças nas demais regiões do Brasil. A expectativa é que, no Centro-Oeste, Sul e Norte, as votações de ambos sejam próximas às de 2022, quando o petista obteve margens consideráveis, mas a disputa se acirrou.

Flávio, que já participou de eventos políticos no Nordeste, tem se movimentado para enfraquecer a base de apoio de Lula na região. A partir de amanhã, o pré-candidato estará em Natal, seguido por João Pessoa no domingo, com o objetivo de estreitar laços com os eleitores locais e reforçar suas propostas.

Para a equipe do senador, o desafio é apresentar uma nova alternativa política aos eleitores, buscando distanciar-se da “mística” que o presidente cultivou na última eleição. As lideranças bolsonaristas acreditam que o apoio dos eleitores nordestinos ao ex-presidente Lula, que foi decisivo nas eleições de 2022, não é mais tão forte.

O raciocínio central da estratégia é que a população da região, ao longo do tempo, entendeu que os programas sociais como o Bolsa Família não dependem exclusivamente de um governo petista. Para os opositores, o eleitor nordestino já percebeu que esses programas são uma política de Estado, e não uma ação específica do PT.

A perspectiva é que o legado de Michel Temer (MDB) e Jair Bolsonaro tenha ajudado a consolidar essa visão. João Roma, Marcelo Queiroga e Rogério Marinho, ex-ministros de Bolsonaro, assumiram a responsabilidade pela coordenação da campanha de Flávio no Nordeste.

Segundo eles, o petista já perdeu o apelo afetivo com o povo nordestino. Queiroga, por exemplo, afirma que o eleitor não busca mais um “painho” em Lula, e que a relação afetiva do presidente com a população não é mais a mesma de outros tempos.

O ex-ministro da Saúde do Brasil Rogério Marinho. Foto: Divulgação

A campanha de Flávio não se limita a críticas ao petista, mas busca também apresentar propostas para os problemas reais enfrentados pela população nordestina. O deputado Cabo Gilberto (PL), por exemplo, destaca a necessidade de combater a polarização e focar em questões como segurança pública, saúde e custo de vida.

A ideia é dialogar com eleitores do centro, que têm o poder de ampliar o apoio de Flávio na região. Outro ponto crucial na estratégia bolsonarista é a Bahia, estado que desempenhou papel fundamental na vitória de Lula em 2022.

O senador e sua equipe apostam na possibilidade de diminuir a margem de vantagem que o ex-presidente teve na Bahia, onde obteve 3,7 milhões de votos a mais que Bolsonaro. João Roma, com apoio de ACM Neto (União Brasil), é o principal responsável por essa missão, visando uma redução de até 1,7 milhão de votos para Lula.

A falta de popularidade de Jerônimo Rodrigues, atual governador da Bahia, também é vista como um fator que pode prejudicar a candidatura do petista. A desaprovação dele, que supera os 50%, tem gerado preocupação na base petista, que se beneficiou da aliança com Rui Costa, também do PT, durante a última eleição.

Com o novo cenário político, a oposição acredita que a situação na Bahia será um campo de batalha decisivo. Efraim Filho, novo nome forte do bolsonarismo no Nordeste, tem chamado a atenção com seu discurso voltado ao centro.

Ele trocou o União Brasil pelo PL e, em sua campanha para o governo da Paraíba, aposta no apelo aos empreendedores e em um discurso de “mais rápido, mais simples e mais barato”, inspirado na linguagem de Pablo Marçal na eleição para a Prefeitura de São Paulo. Efraim busca também reconquistar a simpatia do eleitorado feminino, uma vez que Michelle Bolsonaro tem desempenhado um papel importante em diminuir a rejeição entre as mulheres.

Guilherme Arandas
Guilherme Arandas, 28 anos, atua como redator no DCM desde 2023. É bacharel em Jornalismo e está cursando pós-graduação em Jornalismo Contemporâneo e Digital. Grande entusiasta de cultura pop, tem uma gata chamada Lilly e frequentemente está estressado pelo Corinthians.