O preço de Arthur Lira subiu. Por Fernando Brito

Arthur Lira e Jair Bolsonaro. Foto: Divulgação/Presidência da República

Publicado originalmente no Tijolaço:

Por Fernando Brito

O presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira, tornou-se a peça chave no destino do país.

E sabe que tem quatro ou cinco meses para usufruir desta importância, porque ela desaparecerá assim que o calendário tornar impossível o que ele, neste momento: a abertura de um processo de crime de responsabilidade – o que a gente conhece como impeachment – contra Jair Bolsonaro.

Por que, claro, não dá para pensar em impeachment durante uma campanha eleitoral, quando o voto da população se substitui ao dos parlamentares para decidir pela continuidade ou pelo fim de governo.

Isso, certamente, não escapa a um matreiro representante das oligarquias políticas nordestinas.

Que sabe, também, que Bolsonaro precisa do parlamento para isso e para os “pacotes de bondades” com que pretende recuperar a situação eleitoral desastrosa em que se encontra.

Igual, Lira sabe que, ante o butim, há muitas bocas vorazes a alimentar, faltando 16 meses para a eleição, onde verbas e obras são proteína pura.

Ontem, Paulo Guedes levou a ele o cardápio apetitoso da reforma tributária.

Em período pré-eleitoral – nacional e estadual – é uma discussão sobre dinheiro: de quem se tira e para onde se leva.

É evidente que à beira das eleições, não vai se tirar de ninguém e, tão claro quanto, vai se pretender dar a muitos.

O resultado é a ameaça de um “depenamento” inédito da União, que se expressa também na intenção de vender correndo o que resta de patrimônio público.

É preciso por o pé na porta deste processo porque, do contrário, teremos um novo governo que, além do desafio de reconstruir um país política e economicamente em frangalhos, nem mesmo recursos mínimos terá para isso.