“O presidente tem o poder de soltá-lo”: Valdemar diz que Flávio eleito dará indulto a Bolsonaro

Atualizado em 14 de julho de 2026 às 21:18
Bolsonaro
O ex-presidente Jair Bolsonaro e o pré-candidato a presidência, Flávio Bolsonaro. Foto: Eduardo Anizelli/Folhapress

O presidente do PL, Valdemar Costa Neto, afirmou que Flávio Bolsonaro teria poder para conceder um indulto a Jair Bolsonaro caso vencesse a eleição presidencial. Em entrevista à GloboNews nesta terça-feira (14), o dirigente previu que o ex-presidente estaria solto e novamente “despachando” na sede do partido até o fim de janeiro de 2027.

“Vamos ganhar a eleição. Final de janeiro, o Bolsonaro vai estar no partido despachando, vai ter aquele mundo de gente lá de novo”, declarou Valdemar. Questionado pela jornalista sobre como Jair Bolsonaro deixaria a prisão, ele respondeu: “Porque o presidente tem o poder de soltá-lo”.

Ao ser perguntado se falava especificamente de um indulto presidencial, Valdemar confirmou. “Sim, ele tem o poder para isso”, afirmou. O dirigente, porém, negou que a libertação de Jair Bolsonaro já seja um compromisso formal da campanha de Flávio Bolsonaro. “Não é compromisso. Imagina, eles nem tocam nesse assunto”, disse.

Valdemar apresentou a medida como um desejo pessoal. “Eu quero muito. Eu quero ver o Bolsonaro despachando lá de novo, para ver aquele povo indo lá”, declarou. Apesar da negativa sobre uma promessa eleitoral, a fala indica que o presidente do PL espera que uma eventual vitória de Flávio seja usada para retirar Jair Bolsonaro da prisão.


A Constituição estabelece que compete ao presidente da República conceder indulto e comutar penas. O benefício é formalizado por decreto e pode extinguir ou reduzir a punição de condenados que atendam aos critérios definidos. Isso não significa, porém, que a libertação ocorreria automaticamente: a aplicação do decreto dependeria da análise da Justiça e poderia ser contestada no Supremo Tribunal Federal.

Jair Bolsonaro foi condenado pelo STF a 27 anos e três meses de prisão por tentativa de golpe de Estado, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, participação em organização criminosa armada, dano qualificado e deterioração de patrimônio tombado. A declaração de Valdemar coloca a concessão de um perdão presidencial no centro do projeto eleitoral do PL, mesmo sem Flávio Bolsonaro ter assumido publicamente o tema como promessa de campanha.

Laura Jordão
Estudante de Sociologia e Política na Fundação Escola de Sociologia e Política; escrevo pelo Diário do Centro do Mundo!