O protesto antigolpe que terminou em briga com pedaços de pau na frente da FIESP. Por Pedro Zambarda

As fotos que ilustram esse post foram tiradas pelo próprio jornalista
As fotos que ilustram esse post foram tiradas pelo próprio jornalista

Neste dia 24 de abril ocorreu o “Piquenique da Democracia” na frente do MASP na Paulista. A partir das 16 horas, tanto os militantes contra o golpe quanto as famílias que já frequentam a avenida aberta de domingo partilhavam o espaço. Discursos feministas e pró-minorias puxavam mais o coro de cinco mil pessoas do que as falas mais partidarizadas.

Eduardo Cunha era o inimigo número um e o arauto do golpe de Estado contra Dilma naquele protesto. Michel Temer, Aécio Neves e a oposição eram menos lembrados do que o Congresso corrupto que votou pelo impeachment.

“Venho pedalar sempre na Paulista e até levo meu filho. Estamos num momento muito delicado hoje. Precisávamos de uma visão menos polarizada e atenta ao Estado Democrático de Direito, que está em xeque. Eu chorei na segunda-feira depois da votação do golpe, mas na terça as pessoas estavam trabalhando normalmente. Como assim vão derrubar o regime democrático e as pessoas estão trabalhando normalmente? A gente tinha que parar o país”, me disse Cléo Rodrigues, que tem 31 anos.

Eduardo Cunha era o inimigo no. 1 dos manifestantes
Eduardo Cunha era o inimigo no. 1 dos manifestantes

Os manifestantes decidiram andar então até o prédio da FIESP, onde está o acampamento golpista, para fazer uma provocação simbólica. Ao som de “Dilma, querida, você fica”, a confusão começou.

“Aqui não vai ter petista não”, gritou um dos manifestantes pró-impeachment. Os seguranças da FIESP deram suporte. No meio da troca de xingamentos, eis que um homem munido de um pedaço de pau e vestido com uma camiseta regata do time Miami Heat de basquete ameaçou bater nas pessoas. Perguntei aos manifestantes qual era o nome dele, mas se recusaram a me passar. Ele passou a ameaçar repórteres que estavam no local. “Não chega perto não! Vaza! Vaza! Vaza!”.

Os agressores
Os agressores. Foto: Mídia Ninja

Natália, que tem apenas 20 anos, foi agredida por ele e ficou revoltada com o que ocorreu. “Eu nem sei direito como a confusão iniciou, mas cheguei perto pra tentar conversar. E as provocações iam continuar, porque estávamos fazendo o nosso protesto. Peguei o spray para desenhar uma mensagem no chão, ele tomou de mim e jogou na minha cara. Chegou a ameaçar espirrar. Não veio só ele, mas sim um monte de homens pra cima de mim armados com cano de ferro e paus. O pessoal me salvou e me tirou dali. O cara ainda teve a pachorra de dar uma entrevista pra uma emissora. Sabe-se lá se a Globo vai topar mostrar a história dele como real, né?”, desabafou.

Ela qualificou a agressão como machista e covarde, feita por pessoas armadas diante de outros desarmados. Os manifestantes antigolpe pegaram tapumes do acampamento para quebrar na rua, como represália. Num dos tapumes estava escrito: “precisamos de doações”. Será que os golpistas queriam fazer crowdfunding?

Natália, de 21 anos, agredida
Natália, de 20 anos, foi agredida um grupo de manifestantes pró-impeachment

Um amigo do agressor com camiseta de regata do time de Miami deu entrevista ao DCM. “Aqui é gente do bem, sabe, irmão? Gente a favor do Brasil. Nós queremos uma solução pra mim, pra você, pra todo mundo. Tem gente do bem que quer intervenção militar sim. E eu vim preparado pra bater nesses vagabundos da CUT. Eu quero só que você ouça a minha versão da história para que as pessoas saibam a verdade. Sou filho de militar e vim preparado pra isso”, disse Davi Bragantino, que foi ajudar o amigo. Ele estava vestido com uma camiseta da seleção brasileira e uma bandeira do Brasil amarrada como se fosse o Superman.

Após sua entrevista, a Polícia Militar foi pedir esclarecimentos aos manifestantes golpistas da agressão que havia acontecido. Uma mulher vestida de verde e mancando foi retirada do local, embora ela não tivesse sido vista no momento da confusão.

A manifestação que começou num encontro familiar na Paulista aberta por Fernando Haddad terminou quase numa batalha campal com pessoas armadas com pedaços de pau e canos de aço.

Alguém ainda tem dúvida que o golpe vai gerar uma tragédia em São Paulo?

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