
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) reagiu à possibilidade de novas tarifas dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros, afirmou que pretende participar da reunião do G7 neste mês, na França, e disse que recorrerá a Donald Trump para tentar barrar as medidas anunciadas pelo governo estadunidense.
Em nota, o Palácio do Planalto classificou a possível sobretaxa como protecionista e citou a Lei da Reciprocidade, aprovada no ano passado. O governo afirmou que o argumento dos EUA para justificar a tarifa de 12,5% a países como o Brasil, sob alegação de falhas no controle de produtos fabricados com “trabalho forçado”, é “absurdo” e “lamentável”.
“É lamentável que tema tão relevante como o da proteção de condições dignas para milhões de trabalhadores e trabalhadoras seja desvirtuado para servir de justificativa a medidas protecionistas unilaterais”, diz o texto. “É um absurdo tentar associar a competitividade da economia brasileira a insumos externos obtidos por meio de comércio que viole a dignidade humana”.
O governo manifestou “profunda discordância” com a conclusão sobre trabalho forçado e afirmou que o Brasil se reserva o direito de usar instrumentos previstos na Lei de Reciprocidade “para fazer face a situações de injustiça contra o Estado brasileiro, sem amparo nas regras do comércio internacional”.
Lula disse que inicialmente não iria ao encontro do G7, marcado para ocorrer entre os dias 15 e 17, mas mudou de posição diante da escalada comercial, segundo o Globo. Integrantes do governo afirmam que ainda não há reunião marcada com Trump, mas avaliam que um encontro poderá ocorrer caso o republicano confirme presença.

“Eu nem ia para o G7, mas agora eu vou”, disse Lula, ao abrir uma reunião ministerial. “Alguém tem que tentar colocar ordem na casa e colocar um paradeiro nesse desmonte da democracia”.
O presidente também afirmou que pretende enviar uma nova carta a Trump para tentar derrubar as tarifas. Segundo Lula, a ideia é mostrar que os Estados Unidos “estão equivocados”.
“Vou mandar outra carta ao presidente Trump, vou escrever quantos artigos forem necessários na imprensa americana e mundial para mostrar que eles estão errados, equivocados e que eles estão induzindo o mundo a uma violência desnecessária”, afirmou.
Lula disse ainda que, se os EUA não aceitarem negociar, o Brasil buscará novos parceiros comerciais. “Se ele não quer comprar, a gente vai vender para quem quiser comprar, não vamos ficar reclamando. Se não quiser investir aqui vamos procurar outros”.
Durante a reunião no Planalto, uma tela exibia a frase “o Pix é do Brasil”. O sistema de pagamentos instantâneos foi citado pelo Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR) em relatório que acusa o Brasil de práticas desleais de comércio.
Lula também voltou a criticar Marco Rubio, secretário de Estado dos EUA, que disse não considerar o Brasil um aliado de Washington. “Esse Marco Rubio não gosta da América Latina e muito menos do Brasil, ele é um latino-americano frustrado”, afirmou.