O PT e o aliado que realmente importa. Por Carlos Fernandes

Matéria da Folha

A Folha de S. Paulo traz hoje (25) uma matéria cujo título revela o que na verdade quer esconder.

Ciente do esfacelamento das candidaturas situadas à direita do espectro político, não se fez de rogada e taxou: “Petistas têm maior isolamento nos estados em 20 anos”.

Em tempos de Fake News, meias verdades não são menos danosas.

Não é mentira que o número de coligações realizadas pelo Partido dos Trabalhadores apresentou o seu menor nível nas últimas duas décadas exatamente nessa eleição.

Mas ao contrário da impressão que quer transmitir, esse suposto “isolamento” conta mais a seu favor do que contra.

Ninguém ignora o mal que representou ao PT as coligações espúrias que se viu obrigado a fazer para manter o mínimo da tal governabilidade.

Tampouco ninguém ignora que a despeito dessa mesma tal governabilidade, nada foi capaz de impedir o golpe de 2016 que ainda segue vivo e atuante.

Lições aprendidas, outras nem tanto, o fato é que hoje, seja por um tímido retorno às suas origens, seja por força das circunstâncias, as poucas – e boas – coligações que o PT fechou nos estados estão se mostrando mais do que suficientes não só para seus intentos eleitorais, mas, e ainda mais importante, para se reencontrar com as suas bases.

Apenas dois exemplos bastam para mostrar a dimensão e o poder que estão sendo capazes de proporcionar o “isolamento” do partido que a Folha alardeia aos quatro ventos.

Um deles encontra-se no Rio Grande do Norte, estado historicamente governado por oligarquias políticas dominadas pelos clãs familiares dos Alves (MDB) e dos Maias (DEM).

Com uma coligação que conta apenas com o PCdoB e PHS, a atual senadora pelo PT, Fátima Bezerra, e seu vice, Antenor Roberto (PCdoB), caminham a passos largos para ganhar as eleições já no primeiro turno.

O outro exemplo reside em Santa Catarina. Num estado tradicionalmente conservador, o deputado federal Décio Lima (PT) e seu vice, Kiko (PT), seguem firme na liderança das intenções de votos.

Ao que a princípio pode não parecer muito coisa, torna-se um feito se alguém considerar que essa é a primeira vez que um candidato do Partido dos Trabalhadores lidera a campanha para governador no estado.

Sobre coligações? Eis o grande detalhe: nenhuma. O PT em Santa Catarina segue sozinho. Confirmando-se sua vitória, será uma administração puro sangue.

No mais, ainda cabe um registro. Ambos os estados jamais foram governados pelo PT.

Como se vê, não é de todo mal, no cenário político desse país, não possuir grandes coligações. Numa esfera política que se caracteriza pela infidelidade partidária e pela nada ou quase nada coerência ideológica, apoios, no fim das contas, são dados por conveniência.

Além do que, vejam o caso de Geraldo Alckmin. Vencedor da contenda pelo “centrão” com Ciro Gomes, já se vê às voltas para tentar impedir as traições que se avizinham pelos seus coligados.

A turma não brinca mesmo em serviço.

Trocando em miúdos, o que a Folha de S. Paulo não percebe, até pela própria forma de enxergar esse país, é que as eleições de 2018 está servindo, além de tantas outras coisas, para mostrar que não importa qual seja a nação do mundo, a maior e mais importante coligação que um partido político pode e deve ter é, sem sombra de dúvidas, com o povo.

Esse sim é o aliado que realmente importa.

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