O que a biografia de Dirceu conta sobre o jornalismo da Veja

O especialista em Dirceu da revista cometeu erros em quantidade industrial.

Uma biografia repleta de erros
Uma biografia repleta de erros

Uma boa resenha de Mario Sergio Conti sobre a biografia de José Dirceu escrita por Otavio Cabral joga, lateralmente, luzes sobre o jornalismo praticado pela Veja.

Cabral é editor da Veja, e é o especialista da revista em Dirceu. Daí, provavelmente, a biografia que escreveu.

Conti lista uma tal série de erros que você se pergunta se a grafia do nome de Dirceu está correta. Cabral desconhece até a empresa em que trabalha: no livro ele diz que o jornalista Eugênio Bucci foi diretor de redação da Playboy, que como a Veja pertence à Abril.

Não foi.

Você pode depreender que o grau de acurácia do material da Veja sobre Dirceu não é diferente daquilo que seu editor apresentou na biografia.

É o preço que você paga quando deixa de fazer jornalismo e passa a fazer campanha política: os fatos vão importando cada vez menos.

Os erros mais grosseiros são ignorados em nome da causa. A qualidade desce ao abismo, inevitavelmente. Dos equívocos à mentira é um passo.

A despeito das rasteiras na realidade, você  pode receber aplausos de dentro e de fora de sua publicação se contribuir para a causa. O jornalista Ricardo Noblat, por exemplo,  escreveu uma resenha sobre o livro de Cabral  que parece uma caricatura quando confrontada com a de Conti. Começa no título: “A verdade sobre José Dirceu”. São as palmas incondicionais da tribo.

Amigos meus da Abril me contam que, no último almoço de final de ano da casa, jornalistas da Veja se autocumprimentavam nos seguintes termos: “Colocamos o Dirceu na cadeia”.

Um caso notável, dentro desta lógica abstrusa pela qual enveredaram a Veja e outros veículos de direita, é o do professor Marco Antônio Villa.

Se você pega as declarações de Villa, são absurdamente frequentes os disparates desmentidos pela realidade.

Circulam na internet vídeos em tom de piada com tolices ditas por Villa. Num deles, sempre na órbita da Globo, ele afirma, solene, às vésperas das eleições municipais: “Lula é o maior perdedor em São Paulo.”

Pausa para rir.

Mais recentemente, num blog da Veja, Villa alinhou 16 pontos sobre as manifestações de São Paulo, então em seu começo. O primeiro era que elas não tinham relevância.

Não acertou um.

Mas continuou, posteriormente, perorando no site da Veja sobre as manifestações, e é um convidado habitual em programas das Organizações Globo.

Otavio Cabral, pela resenha de Conti, vem enchendo a Veja de informações erradas sobre Dirceu e, pelo visto, não apenas sobre ele.

Isso torna a revista pior, naturalmente.

Mas quando você se dedica a fazer política disfarçada de jornalismo, como tem sido o caso da Veja, a verdade é um detalhe irrelevante.

O jornalismo do DCM precisa de você para continuar marcando ponto na vida nacional. Faça doação para o site. Sua colaboração é fundamental para seguirmos combatendo o bom combate com a independência que você conhece. A partir de R$ 10, você pode fazer a diferença. Muito Obrigado!